O governo dos Estados Unidos pediu ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na eleição presidencial de 2026, que retirasse de uma carta divulgada na quarta-feira (28) os trechos em que se apresentava como “verdadeiro presidente eleito” do Brasil. Segundo informações publicadas pela colunista Mariana Sanches, do UOL, e confirmadas por diplomatas ouvidos pelo blog de Valdo Cruz, do g1, a formulação poderia gerar problemas diplomáticos entre Washington e o governo brasileiro.
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De acordo com os relatos, assessores do Departamento de Estado avaliaram que a declaração poderia ser interpretada como um sinal de reconhecimento dos Estados Unidos à autoproclamação do senador. A avaliação seria de que essa posição comprometeria as relações oficiais entre os dois países.
Aliados de Flávio afirmaram que a mudança ocorreu apenas por um ajuste no texto. Diplomatas ouvidos pelas reportagens, no entanto, disseram que a alteração aconteceu depois que integrantes do governo do presidente Donald Trump tomaram conhecimento do conteúdo da carta.
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Flávio mudou a carta após primeira publicação
Na versão inicial, Flávio se apresentou como “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, contestou o resultado da votação e alegou fraude eleitoral, sem apresentar provas que sustentassem a acusação.
Pouco depois, o senador apagou a publicação e divulgou uma nova versão. No texto revisado, substituiu as expressões “verdadeiro presidente eleito” e “presidente” por “líder do Brasil” e “líder”.
Na carta, Flávio agradeceu a Donald Trump e ao presidente da Argentina, Javier Milei, e afirmou estar nos Estados Unidos com a família e em segurança. Também negou que tivesse fugido do Brasil, alegou ser alvo de perseguição política e anunciou que pretende liderar a oposição brasileira a partir do território norte-americano.
Governo Trump busca preservar relações com o Brasil
Segundo os diplomatas ouvidos pelas reportagens, a preocupação do governo norte-americano seria evitar que a recepção de Flávio nos Estados Unidos fosse confundida com um reconhecimento de sua condição de presidente eleito.
Os relatos indicam que Washington não pretende romper as relações diplomáticas com o governo brasileiro. Embora Trump tenha feito declarações questionando o processo eleitoral no Brasil, ele também afirmou gostar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A autorização para a entrada de Flávio e de seus familiares nos Estados Unidos, portanto, não significaria reconhecimento da autodeclaração feita pelo senador na primeira versão da carta. O Departamento de Estado não havia comentado oficialmente o episódio até a publicação da reportagem do UOL.
Flávio questionou horário de votação
Na carta, o senador também criticou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou em duas horas o período de votação no domingo (25).
A extensão do horário havia sido solicitada pelas campanhas de Lula e de Flávio, diante de problemas no transporte público de eleitores e de condições climáticas adversas.
Segundo informações divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pouco mais de 34 mil votos foram registrados após as 17h. Lula terminou a disputa com vantagem de aproximadamente 4,43 milhões de votos sobre Flávio.
O TSE confirmou o resultado da eleição e declarou que a votação transcorreu com segurança e transparência, sem fraudes ou inconsistências que comprometessem o resultado. O Partido Liberal (PL), legenda de Flávio, também reconheceu o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral, embora tenha defendido que os questionamentos apresentados fossem esclarecidos.
A alteração da carta, segundo os relatos diplomáticos, ocorreu em meio à preocupação dos Estados Unidos com as consequências que o reconhecimento de uma autodeclaração de vitória poderia trazer para a relação bilateral com o Brasil.

