O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que pretende mudar a forma de governar no novo mandato, com ampliação da participação popular e maior espaço para a comunicação digital. Em seu primeiro discurso após a confirmação da reeleição, o petista também defendeu a regulação das plataformas digitais e disse que o resultado das urnas representou uma derrota para o negacionismo e a desinformação.
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Lula derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais. A vitória foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 21h08, quando 97% das urnas já haviam sido apuradas. Naquele momento, o petista tinha 51,74% dos votos, contra 48,26% do adversário. Com a apuração concluída, às 23h30, Lula terminou com 51,79%, enquanto Flávio obteve 48,21%.
Durante o pronunciamento, Lula afirmou que a campanha enfrentou o que chamou de interferência externa por meio de plataformas digitais e defendeu que crimes praticados na internet recebam tratamento semelhante ao de outras infrações.
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“Não é possível que a gente não tenha consciência que o crime do mundo digital tenha que ser tratado igual ao crime da vida real”, declarou.
O presidente também afirmou que pretende desenvolver uma inteligência artificial brasileira e agradeceu aos integrantes de sua campanha, entre eles o deputado federal André Janones (Rede-MG), responsável pela mobilização digital por meio do canal de WhatsApp “Exército do Lula”.
Lula critica Flávio Bolsonaro e fala em derrota da mentira
Em seu discurso, Lula classificou o resultado eleitoral como uma “derrota para o negacionismo e para a mentira” e fez críticas diretas ao adversário.
“Nunca pensei em me deparar com um representante genuíno do ‘milicianismo’ neste país. Nunca imaginei que uma pessoa pudesse mentir tanto, com tanta desfaçatez, como se não tivesse, dentro dele, uma célula de humanismo, parece tudo falso”, afirmou.
O petista também disse que a campanha lhe trouxe aprendizados e prometeu mudanças na condução do governo.
“Eu posso garantir para vocês que nós vamos mudar o jeito de governar esse país. Quero dizer para vocês que nós vamos fazer o povo participar mais das nossas decisões, a comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande no meu governo”, declarou.
Presidente promete diálogo com Congresso de oposição
Lula também comentou a composição do Congresso Nacional, que terá uma presença expressiva de parlamentares alinhados à oposição. O presidente afirmou que pretende trabalhar com os congressistas para aprovar medidas e destacou a necessidade de respeitar a Constituição.
“Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar para todos e ele foi eleito para governar com base no respeito à Constituição”, disse.
Ao comentar as dificuldades apontadas por aliados e adversários para a relação com um Legislativo mais conservador, Lula afirmou que trabalhará com os parlamentares eleitos.
“Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu e é com ele que eu vou votar, vou trabalhar e vou aprovar as coisas”, declarou.
O presidente também afirmou que pretende reunir-se com representantes de diferentes setores da sociedade, incluindo empresários, educadores, cientistas e mulheres. Em tom descontraído, mencionou até o Corinthians, time pelo qual torce, ao brincar com a derrota da equipe para o Vasco por 3 a 2, pelo Campeonato Brasileiro.
“O Corinthians perdeu outra, está parecendo o Bolsonaro, só perde”, afirmou.
Multidão comemora vitória de Lula na Avenida Paulista
Após deixar o hotel onde estava hospedado, Lula seguiu para a Avenida Paulista, em São Paulo, onde apoiadores se reuniram para comemorar o resultado da eleição. Por volta das 23h30, o presidente falou com manifestantes pelo teto solar do veículo, utilizando um megafone.
Perto da meia-noite, subiu em um trio elétrico e discursou em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), ao lado do vice-presidente reeleito, Geraldo Alckmin (PSB).
Na ocasião, prometeu ampliar o programa Pé-de-Meia para estudantes do ensino médio, criar o Pé-de-Meia Universitário e expandir o ensino em tempo integral.
Lula também agradeceu a participação de André Janones na mobilização digital e citou o senador e coordenador de campanha Camilo Santana, além do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles.
Durante o ato, pediu que fosse executado o Hino da Independência e afirmou que o Brasil não deve se submeter a interesses externos.
“Quero pedir outra vez para tocar o ‘Hino da Independência’, para eles saberem que nós não cabemos no quintal de ninguém”, declarou.
Lula dedica vitória a jovens, mulheres e trabalhadores
O presidente atribuiu a vitória à mobilização de diferentes grupos sociais e agradeceu aos eleitores que participaram da votação.
“Eu devo essa vitória à juventude rebelde que se levantou em defesa da democracia. Eu devo essa vitória às mulheres que se rebelaram contra o feminicídio”, afirmou.
Lula também mencionou os trabalhadores que defendem o fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso e os educadores que veem na educação um caminho para melhorar o país.
Em outro momento, declarou acreditar que sua eleição como primeiro operário a chegar à Presidência representou uma mudança histórica no país.
“Eu tenho dentro de mim um sentimento de gratidão. Eu posso dizer para vocês, acredito muito em Deus e acho que no dia que o povo brasileiro acordou e resolveu eleger metalúrgico sem diploma universitário presidente da República, foi o dedo de Deus que fez vocês confiarem que um operário poderia fazer mais que a elite brasileira tinha feito em 500 anos nesse país”, disse.
