O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concentrou os esforços da campanha na preparação para o debate com o senador Flávio Bolsonaro (PL), marcado para esta sexta-feira (23), na TV Globo. Segundo informações publicadas pelo Metrópoles, o petista reservou parte da quinta-feira (22) e da sexta para reuniões com aliados e integrantes da coordenação eleitoral, em busca de ajustar sua estratégia para o último confronto antes do segundo turno, no domingo (25).
Siga o canal do WSCOM no Whatsapp
Entre no nosso grupo e saiba tudo em primeira mão
A equipe de Lula pretende evitar situações semelhantes às registradas no debate da TV Band, realizado no último domingo (18), e definir uma postura que permita ao presidente apresentar seus argumentos sem se expor a possíveis provocações do adversário.
Outro ponto discutido pelos aliados é a adoção de mecanismos de checagem em tempo real das declarações dos candidatos. A campanha petista avalia que a verificação das informações durante o programa ajudaria os eleitores a identificar eventuais afirmações falsas.
Não conseguiu acompanhar tudo hoje?
Receba um resumo das principais notícias do WSCOM diretamente no seu e-mail, todos os dias às 19h.
PT defende checagem das declarações durante o debate
O presidente nacional do PT e coordenador da campanha de Lula, Edinho Silva, defendeu na quarta-feira (21) que as falas dos dois candidatos sejam verificadas durante o confronto. Na avaliação dele, o debate deve contribuir para a formação da opinião dos eleitores, e não servir para disseminar informações incorretas.
“O debate não pode ser um instrumento de desinformação. O debate tem que ser um instrumento de formação de opinião do eleitor. Então, o correto é que haja uma checagem de cada resposta dos dois candidatos para saber quem está falando a verdade e quem está mentindo para o eleitor em um momento tão decisivo”, afirmou Edinho.
O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira, que está de férias do cargo para atuar na campanha, conduz as conversas com a emissora sobre o tema.
Campanha discute estratégia para movimentação no estúdio
Além da checagem das informações, a equipe de Lula discute como o presidente deverá se posicionar durante o debate. Uma das recomendações é que ele utilize mais o púlpito e evite circular excessivamente pelo estúdio.
A orientação surgiu após o confronto na Band, quando Flávio Bolsonaro se posicionou repetidamente atrás de Lula enquanto o presidente falava. Os estrategistas petistas avaliam que a movimentação pode voltar a ocorrer, já que as regras da Globo permitem que os candidatos circulem livremente pelo cenário durante suas intervenções.
O objetivo da equipe é reduzir situações que possam desviar a atenção das propostas e das respostas dos candidatos.
O debate será realizado nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, após o Jornal Nacional, com mediação do jornalista César Tralli. O programa está previsto para começar por volta das 21h20, no horário de Brasília.
Pesquisa Quaest aponta empate técnico
A preparação ocorre em um cenário de disputa apertada, segundo a pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (21). O levantamento registrou Flávio Bolsonaro com 45% das intenções de voto e Lula com 44%, diferença de um ponto percentual. Como a margem de erro é de dois pontos, os candidatos estão tecnicamente empatados.
A pesquisa também apontou 5% de eleitores que pretendem votar em branco ou nulo e 2% de indecisos. O levantamento ouviu 2.154 eleitores entre os dias 17 e 20 de outubro, com nível de confiança de 95%. <Cite refs={[“turn830684news11”]}/>
Outro dado observado pela campanha petista foi a variação na rejeição dos candidatos. Segundo os números citados na reportagem do Metrópoles, a rejeição a Lula caiu de 53% para 47% em uma semana, enquanto a de Flávio recuou dois pontos, chegando a 52%.
Na pesquisa espontânea, o percentual de eleitores que ainda não mencionaram espontaneamente um candidato teria subido de 7% para 14% no mesmo período. Um integrante da campanha ouvido pelo Metrópoles avaliou que o movimento indica que parte do eleitorado ainda pode mudar de posição.
O levantamento também mediu o receio dos entrevistados em relação ao resultado da eleição: 44% disseram temer o retorno da família Bolsonaro ao poder, enquanto 42% afirmaram temer a reeleição de Lula.
Para os aliados do presidente, esses indicadores reforçam a importância de conquistar eleitores indecisos e reduzir resistências ao petista nos últimos dias de campanha.
Campanha de Lula pede cassação da chapa de Flávio ao TSE
Paralelamente à preparação para o debate, a campanha de Lula acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a chapa de Flávio Bolsonaro e do candidato a vice-presidente, Alfredo Gaspar (PL).
A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije), protocolada na noite de quarta-feira (21), aponta suspeitas de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação social. A representação sustenta que ferramentas tecnológicas da Meta, empresa responsável pelo Instagram e pelo Facebook, teriam favorecido a candidatura do senador em detrimento da campanha petista.
Entre os pontos apresentados estão alegações de tratamento desigual na geração de imagens por inteligência artificial, nos sistemas de recomendação de conteúdo e na revisão de anúncios. A equipe de Lula também afirma ter enfrentado dificuldades para impulsionar publicações pagas nas plataformas.
Além da cassação da chapa, a ação solicita que o TSE declare Flávio Bolsonaro, o influenciador Pablo Marçal e o empresário Tallis Gomes inelegíveis por oito anos. A campanha também pediu medidas urgentes durante a apuração.
As alegações ainda dependem de análise da Justiça Eleitoral. A Meta negou ter interferido no processo eleitoral ou favorecido candidatos e atribuiu os problemas relatados pela campanha petista a falhas técnicas.

