A Polícia Civil da Paraíba vai reexaminar inquéritos de homicídios que permanecem sem autoria identificada para verificar se existem elementos que possam relacionar Jorlan Lopes da Silva, de 33 anos, aos crimes. A iniciativa ocorre após o suspeito afirmar, durante interrogatório, que teria cometido cerca de 80 assassinatos ao longo da vida.
O número, porém, ainda não foi confirmado oficialmente pelas autoridades. Segundo o delegado Douglas Garcia, responsável pela investigação, já existem elementos que relacionam Jorlan a 16 homicídios ocorridos em aproximadamente três meses na região do Vale do Mamanguape.
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A partir de agora, os investigadores devem cruzar as informações apresentadas pelo suspeito com dados de outros inquéritos, provas técnicas e registros de crimes que ainda não tiveram a autoria esclarecida. A intenção é verificar se há indícios capazes de estabelecer uma ligação entre Jorlan e outros assassinatos registrados na Paraíba.
“É um número muito expressivo. Nós acreditamos que se não for esse número, é algo muito próximo disso”, afirmou o delegado Douglas Garcia, segundo informações divulgadas sobre a investigação.
Prisão ocorreu após cerca de 48 horas de buscas
Jorlan foi preso no domingo (13), em Mulungu, no Agreste paraibano, depois de uma operação que durou cerca de 48 horas. Conforme a Polícia Civil, ele tentou escapar usando vestido, peruca, sandálias femininas e óculos escuros, além de carregar uma criança que não era sua parente.
De acordo com os investigadores, o suspeito havia conseguido fugir anteriormente durante uma ação policial em Rio Tinto. Depois disso, teria se escondido em uma comunidade de Cabedelo, na Grande João Pessoa, apontada pela polícia como área de atuação de uma facção criminosa.
O deslocamento do grupo foi acompanhado por equipes de inteligência. Com apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF), os agentes conseguiram identificar o veículo utilizado pelos suspeitos. Um dos integrantes acabou preso durante uma abordagem, enquanto Jorlan conseguiu escapar novamente.
As buscas terminaram em Mulungu. Segundo o relato apresentado pela polícia, o suspeito teria passado pelos agentes usando roupas femininas e carregando a criança no colo. Posteriormente, voltou ao imóvel onde estava escondido, pegou um revólver e deixou a criança no local.
Durante a fuga, o vestido teria se deslocado e deixado à mostra uma tatuagem que ajudou os policiais a reconhecerem Jorlan.
A criança não tinha parentesco com o suspeito. As circunstâncias em que ela estava sob os cuidados dele são investigadas pelas autoridades.
Polícia apura declaração sobre 80 homicídios
Após a prisão, Jorlan declarou aos investigadores que teria matado aproximadamente 80 pessoas ao longo da vida. A informação passou a ser confrontada pela Polícia Civil com os registros oficiais de homicídios e demais elementos reunidos nas investigações.
Apesar da declaração, a polícia considera comprovados, até o momento, os elementos que apontam para a participação do suspeito em 16 assassinatos. A revisão de inquéritos sem autoria definida poderá indicar se há outros crimes que possam ser relacionados a ele.
A investigação também considera informações sobre um possível vínculo de Jorlan com uma facção criminosa originária do Rio de Janeiro e que possui atuação na Paraíba.
Suspeito permanece preso em João Pessoa
Jorlan tinha contra si um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça da Paraíba. Após a prisão e a audiência de custódia, ele foi encaminhado para o Presídio Sílvio Porto, em João Pessoa, onde permanece à disposição da Justiça.
As investigações continuam para verificar a extensão da participação dele em homicídios e confrontar a declaração sobre as cerca de 80 mortes com provas e registros oficiais.
