O magistrado investigador, por Rui Leitão

Banco Master
Foto: Reprodução

O magistrado investigador não é uma novidade na Justiça brasileira. Já vimos esse modelo na Operação Lava Jato, conduzida pelo então juiz Sergio Moro. O resultado todos conhecemos: decisões e processos foram posteriormente anulados em razão do reconhecimento de graves problemas relacionados à imparcialidade e à condução dos procedimentos.

A pergunta que se impõe agora é outra: será que estamos diante de uma repetição desse roteiro no caso Banco Master? Estariam determinadas iniciativas judiciais criando, deliberadamente ou não, as condições para futuras nulidades? E, mais grave ainda, poderia haver uma estratégia destinada a comprometer as próprias investigações e, no limite, blindar eventuais culpados que tenham proximidade com pessoas envolvidas na condução do processo?

Não se trata de fazer acusações sem provas, mas de levantar questões que o próprio desenrolar dos acontecimentos está colocando no centro do debate público. A crise instalada no Supremo Tribunal Federal, com acusações e questionamentos envolvendo a condução das investigações do Banco Master, já adquiriu dimensão institucional e política.

O que causa ainda maior preocupação é o momento em que essa crise se manifesta: às vésperas de uma eleição presidencial, quando qualquer conflito entre instituições pode ser instrumentalizado politicamente.

A impressão que fica é a de uma confusão estratégica que ameaça transformar uma investigação criminal em uma crise de proporções nacionais. Em vez de esclarecer os fatos, corre-se o risco de alimentar suspeitas, confrontar instituições e lançar combustível sobre um ambiente político já extremamente polarizado.

A sociedade brasileira tem o direito de saber a verdade sobre o Banco Master. Mas tem, igualmente, o direito de exigir que essa verdade seja apurada sem manipulação, sem interferência política e sem atalhos que possam comprometer amanhã a validade das provas e das decisões tomadas hoje.

Porque, se a história da Lava Jato deixou alguma lição, é esta: não basta punir culpados; é preciso fazê-lo respeitando rigorosamente as regras do Estado Democrático de Direito. Caso contrário, aquilo que começa como combate à impunidade pode terminar produzindo exatamente o resultado contrário.

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