No evento realizado na manhã deste domingo, na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, que marcou oficialmente o lançamento da campanha do candidato do PL à Presidência da República, algumas bandeiras dos Estados Unidos podiam ser vistas tremulando em meio aos participantes. O fato, registrado durante o ato, não passou despercebido e suscita uma pergunta inevitável: qual o significado político dessa presença?
Tratava-se, afinal, de uma manifestação eleitoral brasileira, destinada a lançar a candidatura de quem pretende governar o Brasil. Por que, então, bandeiras de outro país ocupavam espaço entre os símbolos da mobilização?
É legítimo perguntar se essa presença pretendia demonstrar alinhamento ideológico com o governo e com o campo político norte-americano. Mais do que isso: seria apenas uma manifestação de simpatia ou estaria sendo transmitida uma mensagem política de aproximação e alinhamento com os Estados Unidos?
A questão ganha ainda maior relevância diante do histórico recente de manifestações de setores do bolsonarismo em defesa de uma relação especialmente estreita com a direita norte-americana. Nesse contexto, a presença das bandeiras americanas pode ser interpretada como um símbolo político e símbolos, em uma campanha eleitoral, raramente são neutros.
Afinal, o candidato está disputando uma eleição para escolher o próximo presidente do Brasil ou também procurando demonstrar ao eleitorado um determinado alinhamento internacional?
É uma pergunta que precisa ser feita sem preconceitos, mas também sem ingenuidade. Patriotismo não deveria ser apenas uma palavra repetida em palanques. Ele pressupõe, antes de tudo, compromisso com a soberania nacional, com a autonomia das decisões brasileiras e com a defesa dos interesses do próprio país.
Por isso, quando bandeiras estrangeiras aparecem com destaque em um ato de lançamento de uma candidatura presidencial, cabe ao eleitor perguntar o que elas representam.
Que patriotismo é esse que tanto se proclama?
Em outubro, cada eleitor terá a oportunidade de responder a essa pergunta nas urnas, avaliando não apenas os discursos dos candidatos, mas também os símbolos, as alianças e os compromissos que revelam que projeto de Brasil cada um pretende defender.
Rui Leitão

