O golpe do Paraiban (1), por Rui Leitão

Funcionários do PARAIBAN durante mobilização após o anúncio do fechamento do banco

Na noite de 20 de setembro de 1990, o país inteiro assistiu ao então presidente do Banco Central do Brasil, Ibrahim Eris, anunciar o fechamento dos bancos estaduais da Paraíba, do Rio Grande do Norte e do Piauí. Para os funcionários, a notícia chegou como um golpe inesperado. De uma hora para outra, milhares de trabalhadores se viram diante da ameaça concreta do desemprego.

Começava a se concretizar, de forma dramática, aquilo que o movimento sindical vinha denunciando em relação às posições assumidas pela equipe econômica do governo Fernando Collor. Havia, naquele momento, uma forte pressão pela reestruturação do Sistema Financeiro Nacional, com a participação e influência de organismos internacionais, entre eles o Banco Mundial, e recomendações favoráveis à extinção ou privatização de bancos estaduais.

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Naquela época, eu ocupava uma das diretorias da CONTEC — Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito, sediada em Brasília. Fui informado poucas horas antes do anúncio oficial sobre o fechamento do PARAIBAN, notícia que provocou enorme preocupação entre todos nós que mantínhamos vínculos com o banco.

Ainda naquela noite, mantive contatos com alguns amigos e dirigentes da instituição. Entre eles estava Pedro Aurélio, um dos diretores do banco, que recebeu a informação com a mesma perplexidade e indignação que tomaram conta dos demais funcionários.

Ninguém conseguiu dormir naquela noite fatídica. Na minha casa eram dois os atingidos pela decisão do Banco Central, eu e minha esposa, Robélia, que também era funcionária do Banco. De repente, trabalhadores que haviam dedicado muitos anos de suas vidas ao PARAIBAN passaram a conviver com a possibilidade concreta de perder o emprego e, com ele, a principal fonte de sustento de suas famílias. O impacto foi imediato e devastador. Ao medo do futuro somava-se a angústia provocada pela incerteza financeira e pela necessidade de enfrentar uma decisão tomada de forma abrupta, sem que os trabalhadores tivessem qualquer participação no processo.

O fechamento do banco ocorreu justamente durante o período de pagamento dos salários. Milhares de bancários ficaram, portanto, sem receber a remuneração correspondente ao trabalho realizado durante o mês de setembro, enquanto também enfrentavam a incerteza em relação às verbas rescisórias e aos demais direitos trabalhistas.

Planos de cargos e carreiras, benefícios e direitos vinculados à estrutura de assistência e previdência complementar dos funcionários também foram atingidos pelas medidas decorrentes da liquidação. Para muitos trabalhadores, aquilo significava não apenas a perda imediata do emprego, mas também a ameaça de desestruturação de projetos de vida construídos ao longo de anos de trabalho.

O clima nas dependências do banco e entre os funcionários era de desespero. Famílias inteiras passaram a conviver com o temor de não conseguir honrar compromissos, pagar contas e garantir a própria sobrevivência. A ameaça do desemprego coletivo ultrapassava, assim, os limites da instituição financeira e atingia diretamente milhares de famílias paraibanas.

A população, igualmente estupefata com o acontecimento, reagiu com solidariedade. Políticos, empresários, entidades de classe e diversos segmentos da sociedade paraibana manifestaram apoio aos bancários e passaram a se mobilizar contra a extinção do banco.

O Sindicato dos Bancários assumiu a liderança de uma mobilização de reação contra o golpe que o PRAIBAN sofreu.

Rui Leitão

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