Adolescente suspeito da morte de Washington tem 17 registros policiais e se apresentava como pastor

Polícia também apura relatos de que o jovem teria simulado a própria morte; defesa afirma que ele confessou o homicídio.

adolescente suspeito de matar Washington Rodrigo
Foto: Reprodução/TV Correio

O adolescente de 17 anos suspeito de matar Washington Rodrigo, de 33 anos, em um hotel de Manaíra, possui 17 boletins e notificações registrados na Polícia Civil do Rio Grande do Norte. Segundo a polícia, o jovem também se apresentava nas redes sociais como pastor e palestrante.

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As informações foram divulgadas nesta terça-feira (28), durante entrevista coletiva da Polícia Civil da Paraíba. O adolescente se apresentou na noite desta segunda-feira (27), em uma delegacia de Caicó, acompanhado do advogado.

Entre os registros anteriores estão atos infracionais análogos a furto qualificado, extorsão, lesão corporal em contexto de violência doméstica, ameaça e perseguição. O jovem também já teria sido internado em uma unidade socioeducativa no Rio Grande do Norte.

A Polícia Civil apura ainda informações divulgadas nas redes sociais de que o adolescente teria simulado a própria morte anteriormente. O superintendente da corporação, delegado Cristiano Santana, afirmou que o relato ainda precisa ser confirmado durante a investigação.

Segundo o delegado Diego Garcia, o adolescente conseguia dinheiro por meio de extorsões contra familiares, incluindo a avó de 79 anos.

Imagem nas redes sociais pode ter relação com motivação

A Polícia Civil informou que a imagem pública mantida pelo adolescente como pastor e palestrante pode estar relacionada à motivação do crime.

De acordo com a versão apresentada pelo jovem, ele marcou um encontro com Washington pela internet e temeu que a relação fosse divulgada. O adolescente alegou que suspeitou da existência de fotos ou vídeos do momento de intimidade.

Ainda segundo o relato, ele teria convencido Washington a colocar algemas e usado uma arma de airsoft para exigir o celular da vítima. Ao não encontrar imagens no aparelho, o adolescente teria usado o fio de um secador para tentar deixá-lo desacordado.

Essa versão foi apresentada pelo investigado e ainda será confrontada com os laudos periciais, imagens de segurança e demais elementos reunidos pela Polícia Civil.

A defesa afirmou que o adolescente confessou ter esganado Washington com o fio. O advogado também negou a participação de uma terceira pessoa no quarto.

Delegado aponta contradições no depoimento

O delegado Paulo Nilo, responsável pelo primeiro depoimento prestado em Caicó, afirmou que o adolescente apresentou contradições durante o relato.

“Ele tem uma oratória muito boa, então assim, ele articulou os fatos, porém, vez ou outra, deixava cair em alguma contradição”, disse o delegado.

O jovem também admitiu ter usado documentação falsa para se hospedar no hotel. O caso é conduzido pela Delegacia da Infância e da Juventude de João Pessoa.

Washington foi encontrado morto em hotel

Washington Rodrigo foi encontrado morto por uma funcionária do hotel na tarde da sexta-feira (24). O corpo estava sobre a cama, com as mãos amarradas, um fio enrolado no pescoço e um pano na boca.

O Instituto de Polícia Científica apontou asfixia como causa da morte. Washington morava em Bayeux e trabalhava como motorista autônomo.

A família contestou informações divulgadas sobre a vida pessoal da vítima e pediu respeito durante as investigações.

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