O deputado estadual e pré-candidato ao Senado Federal, André Gadelha (MDB), subiu o tom contra as movimentações de bastidores na disputa pelas duas vagas na Casa Alta do Congresso. O emedebista minimizou os anúncios de adesão ao principal adversário no Sertão, o ex-prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos), classificou o uso de emendas parlamentares na região como “moeda de troca imoral” e cobrou uma postura firme da Justiça Eleitoral. No campo legislativo, Gadelha fixou um ultimato para a coleta de assinaturas da CPI da Cagepa na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB).
Questionado sobre o suposto racha na base governista de João Pessoa em relação ao segundo voto de senador, Gadelha rechaçou o cenário de isolamento de sua pré-candidatura e da do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB). Para ele, o grupo liderado pelo ex-prefeito Cícero Lucena e pelo prefeito Léo Bezerra marchará em total lealdade ao projeto do MDB.
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“A conversa decisiva de Léo será com o próprio grupo que hoje está com Cícero. Nós estaremos pregando nos 223 municípios o portfólio de uma gestão com 79% de aprovação na Capital. Não tenho dúvida do apoio, respeito e lealdade de todo o grupo que faz parte do palanque de Cícero; eles farão o palanque de André e de Vené”, cravou.
‘Rolo compressor’ no Sertão
André Gadelha elevou as críticas ao comentar a estratégia de cooptação de prefeitos no interior do estado, sugerindo que o volume de recursos federais prometidos a gestores municipais nos primeiros meses de pré-campanha é matematicamente incompatível com as cotas regulares do orçamento.
“O que a gente tem visto é de uma forma imoral. Um deputado federal tem direito a R$ 300 milhões em emendas ao longo de quatro anos. Mas a abordagem se utilizando de emendas a mais de um presidente de Poder é de assustar. Se fizermos uma conta simples, com pouco mais de 160 prefeitos aguardando emendas, e cada um receber R$ 4 milhões — que é a menor abordagem que ouvi —, estamos passando de R$ 500 milhões em apenas três meses de pré-campanha”, denunciou o deputado.
Gadelha comparou a conduta com o histórico de Veneziano, afirmando que o senador emedebista destinou mais de R$ 2 bilhões aos municípios sem condicionar a entrega a apoios políticos. “Ninguém fala mais em real, é só em milhões. Estão enganando as lideranças locais, porque sabem que não vão receber esse dinheiro. A Justiça está de olho e nós vamos fiscalizar”, emendou.
CPI da Cagepa
Na pauta administrativa, André Gadelha anunciou que usará o pequeno expediente na ALPB para fazer uma convocação definitiva aos parlamentares. Faltando apenas duas assinaturas para a abertura oficial da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Cagepa, o deputado estipulou esta quarta-feira como o prazo limite para o fechamento do requerimento.
O foco da investigação é o contrato de Parceria Público-Privada (PPP) de esgotamento sanitário firmado pelo Governo do Estado para os próximos 25 anos. O parlamentar lançou graves suspeitas sobre a idoneidade da concessionária vencedora do leilão e apontou supostos favorecimentos familiares.
“É uma parceria de um quarto de século. Essa empresa tem um passado sujo, já foi investigada na Europa por pagamento de propina e deixou um prejuízo ao erário público no Ceará. Coincidentemente, essa mesma empresa vem para a Paraíba pelas mãos do tio do atual governador, o mesmo que a levou para o Ceará. Quem não deve, não teme; por que não abrir a CPI de forma transparente?”, questionou.
Gadelha apontou ainda inconsistências técnicas na seleção dos municípios que integram o lote da PPP: “Das 85 cidades escolhidas, identificamos que 10 delas não precisam de intervenções urgentes no saneamento, enquanto outras que colapsam ficaram de fora. Além disso, há 20 municípios na lista que já possuem obras em andamento com recursos federais. Tudo isso precisa ser esclarecido, porque quem vai pagar essa conta bilionária é o usuário da Cagepa”, concluiu.

