O prefeito interino de Cabedelo, José Pereira (Avante), exonerou nesta segunda-feira (20) quatro auxiliares de alto escalão da gestão municipal que foram alvos da Operação Cítrico, deflagrada pela Polícia Federal na última semana. As dispensas foram publicadas na primeira edição do Diário Oficial do Município. A operação investiga um suposto esquema de desvio de R$ 270 milhões dos cofres públicos, fraudes licitatórias e ligação entre o poder público e uma facção criminosa.
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Entre os exonerados está Cynthia Denize Silva Cordeiro, sogra do prefeito afastado Edvaldo Neto (Avante), que ocupava o cargo de secretária de Controle do Uso e Ocupação do Solo. Conforme decisão judicial do desembargador Ricardo Vital de Almeida, Cynthia é apontada pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) como a articuladora da “aliança inicial” entre a prefeitura e a facção criminosa. A investigação indica ainda que ela atuava como advogada de Flávio de Lima Monteiro, conhecido como Fatoka, apontado como chefe do braço do Comando Vermelho na cidade, e que possui proximidade com o traficante Fernandinho Beira-Mar.
Também foi desligado do cargo de Procurador-Geral do Município Diego Carvalho Martins, cunhado do prefeito afastado. A Justiça suspeita que ele utilizava sua função técnica para emitir pareceres que conferiam aparência de legalidade ao esquema, favorecendo a contratação de uma empresa terceirizada específica em detrimento das concorrentes.
Os outros dois exonerados são Josenilda Batista dos Santos, ex-secretária de Administração, e Claudio Fernandes de Lima Monteiro, ex-gerente geral de Recursos Humanos. Ambos já haviam sido afastados anteriormente por decisão judicial. Josenilda é descrita nas investigações como o principal braço operacional interno da facção, responsável por receber indicações do grupo e viabilizar contratações via empresa terceirizada. Já Claudio era suspeito de atuar como gestor contratual para blindar a execução dos acordos fraudulentos e evitar fiscalização.
O contexto da operação
A Operação Cítrico resultou no afastamento de Edvaldo Neto, eleito para o cargo dois dias antes da deflagração da ação policial, mas que ainda não havia sido diplomado. Além dele, o ex-prefeito Vitor Hugo (MDB) também foi alvo das investigações.
A Justiça proibiu o acesso às dependências da prefeitura para Edvaldo Neto, Vitor Hugo Castelliano, Rougger Xavier Guerra Junior (ex-secretário em João Pessoa, exonerado na última sexta-feira), Diego Carvalho Martins, Cynthia Denize Silva Cordeiro, Tanison da Silva Santos e Cláudio Fernandes de Lima Monteiro. A força-tarefa que conduz as apurações é composta pela Polícia Federal, Ministério Público da Paraíba (Gaeco) e Controladoria-Geral da União.