Pais são indiciados por morte de bebê de 23 dias esfaqueado em Patos, na Paraíba

Polícia Civil concluiu o inquérito e atribuiu à mãe homicídio triplamente qualificado e ao pai homicídio qualificado por omissão; laudos e reprodução simulada ainda estão pendentes

Polícia Civil da Paraíba durante Operação Alcance

A Polícia Civil da Paraíba indiciou os pais suspeitos de matar o próprio filho, um bebê de 23 dias, atingido por 24 golpes de faca em Patos, no Sertão do estado. A conclusão do inquérito foi confirmada pelo delegado Gilson Duarte à TV Paraíba.

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A mãe foi indiciada por homicídio triplamente qualificado. Já o pai responderá por homicídio qualificado, na modalidade de omissão imprópria. Apesar da conclusão do inquérito, a investigação ainda terá etapas complementares, incluindo a análise de laudos pendentes e a reprodução simulada dos fatos.

Segundo a Polícia Civil, os dois foram ouvidos novamente durante a apuração e apresentaram versões que, conforme o delegado, não encontram respaldo nos vestígios identificados na cena do crime.

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O pai, Marcos Gabriel Santos Pacheco, está preso na Penitenciária de Segurança Máxima Doutor Romeu Gonçalves de Abrantes, conhecida como PB1, em João Pessoa. A mãe, Mirelly Laila Lucena Braz, está custodiada na Penitenciária Júlia Maranhão, também na capital paraibana.

Perícia aponta 24 golpes e sofrimento antes da morte

O bebê foi encontrado morto em 14 de outubro. O exame pericial identificou 24 ferimentos provocados por faca. De acordo com Dionísio Filho, perito do Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (Numol) de Patos, a criança não morreu imediatamente após ser atingida e apresentou sinais de agonia antes de falecer.

Do total de lesões, 13 estavam na parte posterior do corpo, incluindo costas e braços. As outras 11 atingiram regiões frontais, como abdômen, rosto e tórax. Uma das perfurações alcançou o coração do bebê.

Os pais, ambos de 19 anos, foram presos em flagrante no mesmo dia em que a criança foi encontrada. No dia seguinte, 15 de outubro, as prisões foram convertidas em preventivas durante audiência de custódia.

Depoimentos apresentaram versões conflitantes

No início da investigação, os dois suspeitos apresentaram relatos diferentes sobre o que teria acontecido e atribuíram um ao outro a responsabilidade pelo crime.

A Polícia Civil também ouviu testemunhas, entre elas moradores da vizinhança e pessoas que passavam pela rua onde fica a residência da família. Os depoimentos foram confrontados com as versões apresentadas pelos investigados.

Uma das inconsistências apontadas pela investigação envolve o relato da mãe de que teria gravado o episódio. Segundo o delegado, os policiais verificaram o celular, mas não encontraram imagens relacionadas ao crime. O aparelho foi apreendido e deverá passar por perícia.

Imóvel foi invadido após a morte da criança

Na madrugada de 15 de outubro, vizinhos invadiram a casa onde o bebê foi morto. Móveis e outros objetos retirados do imóvel, incluindo uma cama e um colchão, foram queimados em uma área próxima.

A Polícia Militar informou que havia realizado rondas para evitar atos de vandalismo, mas a invasão ocorreu no intervalo entre as passagens das equipes.

A Polícia Civil procura identificar os responsáveis pela entrada no imóvel, retirada dos pertences e incêndio dos objetos. Caso sejam identificados, eles poderão responder pelos danos causados.

A corporação afirmou que a invasão não comprometeu a investigação da morte, uma vez que a perícia no local havia sido realizada no próprio dia 14 de outubro.

Como o caso aconteceu

O bebê foi localizado sem sinais vitais pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que foi acionado pela Polícia Militar. A criança estava sobre uma cama e apresentava diversas perfurações provocadas por faca, principalmente na região abdominal.

De acordo com o delegado Gilson Duarte, os pais estavam separados havia algum tempo, mas estiveram juntos na residência no dia do crime. A mãe teria ido a Patos para retirar móveis do imóvel, conforme relato apresentado por ela à polícia.

A investigação também apurou que a mulher mantinha outro relacionamento com uma pessoa de São Bento, município do Sertão paraibano.

Com o indiciamento, a Polícia Civil concluiu a etapa principal do inquérito, mas ainda deverá encaminhar à Justiça informações complementares após a conclusão dos exames e da reprodução simulada. A responsabilidade criminal dos investigados será analisada pelo Judiciário.

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