Se há um aspecto certamente irrefutável, às vésperas da retomada do julgamento de cassação do governador Cássio pelo TSE este é, sem dúvidas, o conflito de interesses das partes mais envolvidas porque certamente expõe divergências de torcidas e expectativa.
É óbvio que ao interesse de Cássio há em vigência um sentido de esperança inexistente lá atrás de que possa haver dissidência nesta fase de julgamento de embargos para se ter o vice-governador José Lacerda sendo ouvido na base regional (TRE).
Para chegar a esse estágio, contudo, o mais forte de tudo é saber se os ministros têm mesmo coragem de enfrentar desgaste com a mudança dos votos. Se tiverem essa postura diante de juízo sensato exposto pelo governador, aí sim Cássio terá chances e então até mais tempo do que o imaginado anteriormente.
Aliás, o senador José Maranhão se esposa exatamente nessa dificuldade pública a de encarar desgaste por já ter votado pela cassação como pressão psicológica e torcida pela manutenção do resultado.
Ele acha muito difícil haver mudança.
Só que, não precisa ir muito longe e lembrar que o próprio ministro relator Eros Grau teve posição a favor da cassação do governador de Santa Catarina, Luiz Henrique, e mudou o voto enfrentando criticas localizadas.
Se haverá, como o ministro Arnaldo Versiani, quem assuma o destemor frente ao público então saberemos se o TSE agiu sob a égide técnica exclusiva para se evitar o pior ou se deixará levar pelo temor da reação externa.
Esta é a questão, que traduz a seguinte condição: antes, os 7 a 0 não permitiam outro estágio senão o de eliminação total do processo; entretanto, na ultima sessão, ano passado, essa luz no fim do túnel passou a existir.
