Rio de Janeiro – A Operação Carta Marcada realizada a partir de num sei quantos meses mas só nesta sexta-feira posta em prática para levantar documentos, dados e prender cascas grossas como diziam meus avós envolvidas com maracutais ( desvios de recursos públicos) colocou definitivamente a Paraíba no rol das sociedades contaminadas pelo doença de se querer enricar com o dinheiro dos outros.
Tenho meia idade, mas ainda reproduzo o bom costume, de que o que não é seu, nem foi conquistado pelo suor, então deixe pra lá porque tem dono. Antonio Mariz, governador imortal de exemplar conduta nesta área, é o nome de que me recorda para traduzir a postura implacável de um gestor público a não admitir jamais um deslize na gestão do dinheiro dos outros.
Ontem, mais uma vez, quando vi logo cedo o telefone tocar direto de Sousa, Sertão, Capital, Brasilia, etc anunciando novo flagrante de prisão e apreensão de documentos, lembrei de Neném da mesma geração de amigos meus, afeito ao mau hábito de passar a mão em alguns pirulitos na Mercearia de Tulipa ( era assim mesmo o nome), de forma fraudulenta, roubo mesmo, até que um dia Tulipa flagrou-o em ato desabonador.
Foi um Deus nos acuda, chama pai, mãe, até ouvi falar em Policia de Menores- teve um tempo que existiu essa figura até que Neném precisou ir embora do bairro para nunca mais voltar.
Faz pouco tempo, mas era a moral atolada na lama que fez Neném, mutilado, para sempre na comunidade porque ele roubou e roubar desde Jerusalém, antes mesmo ou agora, é crime que tira da normalidade e convivência de quem quer que seja.
Lembrei, a propósito de Sousa, de um outro caso em Minas Gerais (interior mais precisamente) com o pai de Dona Sara Kubtischeck nome que agora a memória falha que morreu tempos depois de ter sido acusado, só de lero sem comprovação, de não ter levado a iluminação elétrica aos lugares que prometera como engenheiro (já era micro-empresário) e contratado pelo Governo.
A simples acusação, mesmo irresponsável mas comprometedora, feriu a honra e a moral do pai de Dona Sara em nível tal que, sofreu depressão e infarto porque à época homem que era homem não podia olhar nos olhos dos outros sob suspeita. Por isso o ódio dela, inicialmente, pela política partidária.
Agora mesmo, em tese recente (geograficamente), remonto o quanto mudamos para pior quando parecemos não ter mais vergonha na cara com as acusações parecendo filme de ficção quando são testemunhos reais de cenas que não mais indignam como antes.
Não sei quem mais degradou-se: se quem, como a sociedade, já entrou no deixa pra lá ou na cara de pau dos que fingem não saber o que, no silêncio da noite, levaria muitos ao suicídio ou, no mínimo, abandonar de vez o papel de representante popular.
Nos dois casos, a sociedade merece o que admite, mas não se sabe ata quando a vergonha tomará o rumo de vez de assumir seu papel.
Processo arrastado
Embora somente nesta manhã de sexta-feira a operação tenha sido deflagrada, há muito tempo os órgãos de fiscalização vêm acompanhando com escuta telefônica as maracutaias nas prefeituras embora Sousa tenha maior conotação.
A Operação só se deu, conforme relato de autoridades, porque chegou ao limite de tantos desmandos.
Fala da defesa
Salomão Gadelha sumiu para longe, talvez estando mais perto do que nunca temendo ser algemado pela PF. Nem estava na lista dos mandados, segundo o advogado de defesa, José Ricardo Porto.
Ontem, José Ricardo ainda não tinha elementos para anunciar o tom da defesa, o que está acontecendo nas horas seqüenciadas.
Exageros à parte
A Policia Federal na primazia de executar sua missão vez por outra comete seus absurdos. Isso se deu com o sogro de Salomão Gadelha, prefeito de Sousa sr Expedito Gadelha, de idade avançada, tratado como bandido por recusar-se à invasão permitida pela justiça à sua residência.
Ao ser constatada o domínio de três armas, entrou no rol e foi reconduzido pelo que consta à custodia policial.
A PF não sabe, mas feriu de morte um homem de bem. Isso não tem nada a ver com quem tem culpa no cartório.
Última
Nem que eu bebesse o mar/
Encheria o que tenho de fundo…