Flávio Bolsonaro diz que não havia ‘nada de errado’ com Vorcaro ao financiar filme e chama irmão Eduardo de ‘perseguido político’

Flávio Bolsonaro diz que não havia 'nada de errado' com Vorcaro

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira (16) que não havia “absolutamente nada de errado” com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro quando ele aceitou financiar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. Durante entrevista à TV Globo, o senador também saiu em defesa do irmão Eduardo Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a quem classificou como “perseguido político”.

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Questionado pela jornalista Renata Lo Prete sobre o financiamento da produção, Flávio Bolsonaro foi confrontado com a diferença entre os R$ 134 milhões solicitados a Vorcaro e o custo de R$ 75 milhões do filme. O candidato afirmou que o contrato inicial não foi integralmente cumprido e que outros investidores participaram do financiamento.

“Era um contrato que não foi cumprido. E, com os recursos que foram aportados por ele e mais outros investidores, nós conseguimos concluir o filme”, declarou.

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O senador também foi questionado sobre o destino de quase R$ 70 milhões transferidos por Vorcaro a um fundo nos Estados Unidos. Segundo Flávio, a produtora brasileira prestou contas dos recursos utilizados, e as despesas dependiam de autorização do fundo.

O candidato sustentou que o financiamento tinha caráter privado, negou ter oferecido contrapartidas relacionadas ao mandato parlamentar e afirmou que havia procurado outros investidores antes de conseguir o apoio de Vorcaro.

Segundo ele, o ex-banqueiro aceitou participar do projeto em um período em que “não tinha absolutamente nada de errado”.

Flávio chama Eduardo Bolsonaro de perseguido político

Durante a entrevista, Flávio também descartou a possibilidade de nomear o irmão Eduardo Bolsonaro para o Ministério das Relações Exteriores em um eventual governo.

“Não, ele não vai ser meu chanceler”, respondeu.

Em seguida, defendeu o ex-deputado, que está nos Estados Unidos.

“Eduardo Bolsonaro é um perseguido político que está lá fora denunciando as arbitrariedades que existem aqui no Brasil”, afirmou.

Eduardo Bolsonaro foi condenado pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão por coação, em processo relacionado à investigação da tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Segundo a decisão da Corte, o ex-parlamentar atuou junto ao governo norte-americano de Donald Trump para pressionar autoridades brasileiras e interferir no julgamento que resultou na condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão.

Candidato defende investigação de Nunes Marques e impeachment de Moraes

Ao tratar das suspeitas envolvendo ministros do STF e Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro afirmou que o ministro Kassio Nunes Marques, indicado à Corte por Jair Bolsonaro, também deve ser investigado caso existam indícios de irregularidades.

“Todo mundo tem que estar abaixo da lei”, declarou.

O senador também voltou a criticar Alexandre de Moraes e defendeu seu impeachment, acusando o magistrado de atuação político-partidária e perseguição a adversários. As acusações foram apresentadas pelo candidato durante a entrevista.

“Do jeito que está hoje, de fato, nós temos que proteger a instituição Supremo Tribunal Federal. Não dá para um juiz como Alexandre de Moraes, o dono da caneta, interferir em um monte de coisa, perseguindo adversários políticos do atual governo”, afirmou.

Flávio promete manter fim da escala 6×1

Outro tema abordado foi a mudança de posicionamento do candidato sobre o fim da escala de trabalho 6×1.

Flávio afirmou que decidiu apoiar a redução da jornada após conversar com trabalhadores durante a campanha e garantiu que não pretende reverter a medida caso seja eleito.

“Eu rodei o Brasil inteiro, ouvi muitos trabalhadores e votei conforme o que vi nas ruas. Como ouvi da grande maioria dos trabalhadores que eles estavam a favor do fim da escala 6 por 1, resolvi seguir a vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros”, disse.

Questionado se retomaria uma proposta defendida por aliados do PL para estabelecer remuneração proporcional às horas trabalhadas, respondeu:

“Não vou, Renata. Foi uma decisão do Congresso Nacional. Então, da minha parte, nenhum questionamento com relação a isso”.

Jair Bolsonaro não tem cargo previsto em eventual governo

Flávio também afirmou que não pretende iniciar um eventual mandato pensando na reeleição e disse ser contrário a mudanças nas regras que permitiriam a candidatura de familiares em situações atualmente vedadas.

Sobre a possibilidade de Jair Bolsonaro integrar sua equipe de governo, o senador afirmou que o ex-presidente nunca solicitou um cargo.

“[Jair] Bolsonaro nunca tratou de cargo comigo. Nunca sugeriu que gostaria de trabalhar no governo. Eu tenho o privilégio de, a hora que eu precisar, consultar um ex-presidente da República, ter [alguém] dentro de casa, de confiança. Então eu sou um privilegiado por isso, mas [ele] nunca tratou de cargo comigo”, declarou.

“Não está no radar”, acrescentou.

com g1

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