Na ONU, Lula condena governo Netanyahu por “genocídio em Gaza” e defende soberania do Brasil: “Não cabe no quintal de ninguém”

Lula Netanyahu onu

Em pronunciamento de abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva direcionou duras críticas à condução do conflito no Oriente Médio. O chefe do Executivo brasileiro denunciou os impactos humanitários das operações militares de Israel sobre a população civil palestina na Faixa de Gaza.

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“Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma de um genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza”, afirmou o presidente diante das delegações internacionais.

Ao tratar da escalada de violência no Oriente Médio, Lula repudiou as ações promovidas pelo grupo extremista Hamas, pontuando que “civis israelenses pagaram o preço do radicalismo e da intolerância dos atos terroristas”. O mandatário também rechaçou sanções e retaliações voltadas a órgãos de justiça global, ressaltando que “perseguir o Tribunal Penal Internacional e seus integrantes é um estímulo para que esses crimes fiquem impunes”. Além disso, advertiu que a expansão dos assentamentos ilegais na Cisjordânia inviabiliza a solução de dois Estados, necessária para a convivência pacífica entre israelenses e palestinos, acrescentando que ameaçar civilizações de extinção não trará estabilidade à região.

Soberania, ingerência externa e relações regionais

Em outra frente de seu discurso no plenário da ONU — órgão que reúne 193 Estados-membros e que tradicionalmente tem o Brasil como primeiro orador desde 1955 —, Lula defendeu a não intervenção em processos eleitorais e a preservação da soberania nacional, ressaltando que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”.

A fala ocorre em meio a atritos diplomáticos e ao cenário que antecede a eleição presidencial de 4 de outubro, na qual Lula disputa a Presidência com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), recebido em maio por Donald Trump na Casa Branca. A preocupação do governo brasileiro com a ingerência estrangeira ganha corpo em paralelo à aplicação de tarifas adicionais sobre produtos nacionais por parte da gestão norte-americana. Diante das cobranças por reformas no Conselho de Segurança da ONU, Lula provocou a comunidade internacional a escolher entre a cooperação e a submissão: “Somos chamados a optar entre o multilateralismo e o unilateralismo. Soberania ou subordinação?”.

Desenvolvimento, meio ambiente e outros temas

No tocante à agenda ambiental, o presidente afirmou que o país demonstra ser viável conciliar redução de emissões com crescimento econômico, ressaltando a queda do desmatamento e o uso de energias limpas sob a premissa de que “a floresta vale mais em pé”. Lula ponderou que os recursos naturais do país pertencem ao povo brasileiro e garantiu que a exploração da Margem Equatorial e de terras raras para a transição energética prosseguirá de forma alinhada à descarbonização.

Durante a participação na assembleia, na qual antecedeu o discurso de Donald Trump, o presidente brasileiro abordou ainda temas como inteligência artificial, combate ao crime organizado, regulação do comércio e tarifas internacionais, defesas de acordos de paz e o funcionamento do sistema PIX.

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