O empresário paraibano Netinho Lins, cuja empresa aparece em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) relacionado às investigações sobre o Banco Master, mantém proximidade política com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). A informação é da jornalista Malu Gaspar, de O Globo.
A empresa de Netinho recebeu R$ 1 milhão da Super Empreendimentos e Participações entre julho e setembro de 2024, em uma operação que consta de relatório encaminhado à investigação.
O documento aponta que a mesma comunicação bancária que registrou o pagamento relaciona a operação a uma pessoa com prerrogativa de foro, cuja identidade não foi informada no relatório do Coaf. A Super Empreendimentos, ligada ao grupo de Daniel Vorcaro por meio de seu cunhado, Fabiano Zettel, aparece no relatório por movimentações consideradas atípicas, que somam R$ 19,6 milhões.
A relação de Netinho com Hugo Motta ultrapassaria o ambiente político. O empresário viajou com o presidente da Câmara em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para participar de um evento na Associação Comercial de São Paulo, segundo informações publicadas pela coluna de Lauro Jardim, do GLOBO. Netinho também é filiado ao Republicanos e disputa as eleições deste ano no Rio Grande do Norte como primeiro suplente da senadora Zenaide Maia (PSD).
Outro episódio que aproximou o empresário do círculo político de Motta ocorreu em fevereiro de 2025. O cantor Luan Estilizado, parceiro de Netinho em negócios relacionados a uma aeronave, se apresentou em uma festa realizada em Brasília para comemorar a eleição de Hugo Motta à presidência da Câmara. O artista também participa de eventos promovidos pelo grupo empresarial de Netinho.
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Além da proximidade com Motta, Netinho realizou em 2023 um negócio com o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Ele comprou, em parceria com Luan Estilizado, um avião Beechcraft King Air B200 que havia sido adquirido anteriormente pelo senador. A negociação foi feita por US$ 2 milhões, valor que corresponde a pouco mais de R$ 10 milhões em valores corrigidos.
A transferência formal da aeronave, porém, não foi concluída. Segundo a empresa de Netinho, o negócio foi integralmente quitado, mas o avião acabou bloqueado por determinação judicial no âmbito das investigações sobre o Banco Master. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) registrou o bloqueio em maio deste ano por determinação do ministro André Mendonça.
A empresa de Netinho também apresentou uma explicação para o pagamento de R$ 1 milhão identificado no relatório do Coaf. A DuBem Business afirmou que o valor estava relacionado à criação e produção do Will Bank Festival, projeto que teria sido contratado por R$ 2 milhões, dos quais R$ 1 milhão foi pago pela Super Empreendimentos. Segundo a empresa, o evento acabou não sendo realizado por decisão dos proprietários da instituição contratante.
