Bruno Farias questiona metodologia da pesquisa Quaest na Paraíba: “É antidemocrático brincar com números”

bruno farias

O líder da situação na Câmara Municipal de João Pessoa, vereador Bruno Farias, criticou, durante pronunciamento nesta quinta-feira (27), a divulgação de pesquisas eleitorais na Paraíba e questionou a metodologia utilizada no levantamento recente do instituto Quaest. Para o parlamentar, resultados que apresentam discrepâncias em relação ao desempenho eleitoral posterior podem prejudicar a compreensão do eleitor e atingir a democracia.

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Bruno Farias afirmou que pesquisas não podem ser utilizadas para apresentar como verdade aquilo que, segundo ele, seriam números distorcidos. “A mais pérfida das mentiras é a mentira travestida de caráter científico. É a mentira querendo se passar de verdade”, declarou.

Ao abordar especificamente o levantamento da Quaest, o vereador disse ter analisado a distribuição das entrevistas entre os municípios paraibanos. Segundo ele, Bayeux, que registrou 53.418 votos válidos nas eleições de 2024, recebeu o mesmo peso de ponderação que Carrapateira, município que teve 2.202 votos válidos no mesmo pleito.

O parlamentar também questionou a ausência de entrevistas em cidades como Guarabira, Cajazeiras, Esperança e Pombal. “Não houve entrevistas em Guarabira, em Cajazeiras, em Esperança e em Pombal”, afirmou durante o pronunciamento.

Outro ponto levantado por Bruno foi a comparação entre Cacimba de Areia e Cabedelo. Segundo os dados apresentados por ele, Cacimba de Areia teve 3.769 votos válidos em 2024 e recebeu o mesmo número de entrevistas que Cabedelo, que contabilizou 39.197 votos válidos.

Em relação a João Pessoa, o vereador afirmou que a cidade representa aproximadamente 20% do eleitorado paraibano, mas teria sido contemplada com 138 entrevistados na pesquisa. “Praticamente o mesmo número de entrevistados quando a gente soma as cidades de Cabaceiras, de São José de Piranhas, de Cacimba de Areia, de Carrapateira e de Desterro”, declarou.

Na avaliação de Bruno, a distribuição apresentada não seria capaz de refletir adequadamente o peso eleitoral dos municípios. Ele defendeu que a sociedade e a classe política discutam os critérios utilizados nas pesquisas e afirmou que o tema deveria ser analisado pelo Congresso Nacional.

“É preciso, de uma vez por todas, que o país, que o Congresso Nacional, sobretudo, possa se debruçar sobre esse instrumento que é usado ao sabor das emoções durante o período eleitoral, que são as pesquisas”, disse.

O vereador também criticou a justificativa de que pesquisas representam apenas uma fotografia do momento. Para ele, erros recorrentes podem interferir na percepção dos eleitores sobre o cenário eleitoral. “Esses erros repetidos corroem a democracia, corroem o entendimento das pessoas, corroem a visão holística que o cidadão e que a cidadã têm do processo eleitoral”, afirmou.

Bruno Farias classificou como “antidemocrático” o uso de números que, segundo sua avaliação, possam induzir o eleitor ao erro. “É antidemocrático brincar com números. É antidemocrático enganar as pessoas. É antidemocrático sorrir da cara do cidadão”, declarou.

Ao final, o líder governista afirmou que os eleitores paraibanos estariam acostumados a acompanhar pesquisas eleitorais e não seriam facilmente influenciados por resultados que considerem distantes da realidade. “Quanto mais quererem iludir os eleitores, quanto mais quererem massacrar contra a democracia, maior será a queda, maior será a resposta no dia 4 de outubro”, disse.

“A vacina contra esse tipo de mentira está no sentimento das ruas. As vozes não se calarão. E o povo, que é sábio, não se deixará iludir”, concluiu.

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