Bandeiras estrangeiras e o patriotismo de ocasião, por Rui Leitão

Bandeiras dos Estados Unidos durante ato de campanha na Praia de Copacabana

No evento realizado na manhã deste domingo, na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, que marcou oficialmente o lançamento da campanha do candidato do PL à Presidência da República, algumas bandeiras dos Estados Unidos podiam ser vistas tremulando em meio aos participantes. O fato, registrado durante o ato, não passou despercebido e suscita uma pergunta inevitável: qual o significado político dessa presença?

Tratava-se, afinal, de uma manifestação eleitoral brasileira, destinada a lançar a candidatura de quem pretende governar o Brasil. Por que, então, bandeiras de outro país ocupavam espaço entre os símbolos da mobilização?

É legítimo perguntar se essa presença pretendia demonstrar alinhamento ideológico com o governo e com o campo político norte-americano. Mais do que isso: seria apenas uma manifestação de simpatia ou estaria sendo transmitida uma mensagem política de aproximação e alinhamento com os Estados Unidos?

A questão ganha ainda maior relevância diante do histórico recente de manifestações de setores do bolsonarismo em defesa de uma relação especialmente estreita com a direita norte-americana. Nesse contexto, a presença das bandeiras americanas pode ser interpretada como um símbolo político e símbolos, em uma campanha eleitoral, raramente são neutros.

Afinal, o candidato está disputando uma eleição para escolher o próximo presidente do Brasil ou também procurando demonstrar ao eleitorado um determinado alinhamento internacional?

É uma pergunta que precisa ser feita sem preconceitos, mas também sem ingenuidade. Patriotismo não deveria ser apenas uma palavra repetida em palanques. Ele pressupõe, antes de tudo, compromisso com a soberania nacional, com a autonomia das decisões brasileiras e com a defesa dos interesses do próprio país.

Por isso, quando bandeiras estrangeiras aparecem com destaque em um ato de lançamento de uma candidatura presidencial, cabe ao eleitor perguntar o que elas representam.

Que patriotismo é esse que tanto se proclama?

Em outubro, cada eleitor terá a oportunidade de responder a essa pergunta nas urnas, avaliando não apenas os discursos dos candidatos, mas também os símbolos, as alianças e os compromissos que revelam que projeto de Brasil cada um pretende defender.

Rui Leitão

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