Ainda repercute negativamente a curta e tumultuada sessão ordinária da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), ocorrida na manhã desta quarta-feira (27). Mesmo após encerrada a reunião, deputados de oposição e situação continuaram travando o debate em entrevistas concedidas à imprensa local. O motivo, a propositura de uma sessão especial com objetivo de discutir supostas irregularidades cometidas pela “Cruz Vermelha Brasileira”, alvo da “Operação Calvário”.
A sessão, que contou com a ausência do presidente Adriano Galdino (PSB) que participa de um evento no Estado do Maranhão, ficou marcada por confusão, acusações, bate-boca, dedo em riste e até empurrões entre deputados das alas governista e oposicionista.
O líder da oposição, deputado Raniery Paulino (MDB), que propôs a sessão e pediu, inclusive, a convocação do conselheiro Nominando Diniz, do Tribunal de Contas do Estado (TCE), para falar sobre supostas irregularidades no contrato da Cruz Vermelha com o Governo do Estado, acusou os colegas governistas de finalizar o expediente porque os parlamentares abordaram a investigação contra a organização social Cruz Vermelha. Ele lamentou ainda o ambiente hostil.
“É importante que se registre e que fique consignado por que a sessão foi encerrada. Porque se falou em Cruz Vermelha. Eu apresentei um requerimento para o conselheiro vir aqui e trazer a exposição sobre o voto dele da Cruz Vermelha onde ele imputou um débito de R$ 8 milhões e 900 mil”, explicou o emedebista.
TENTATIVA DE POLITIZAR O DEBATE
O deputado Wilson Filho (PTB) argumentou que os secretários do Governo têm se mostrado colaborativos com os pedidos do Poder Legislativo, estando sempre à disposição para prestar esclarecimentos sobre suas ações no Executivo. O petebista ainda acusou a oposição de somente querer “politizar” o debate sobre a “Operação Calvário”, na Casa de Epitácio Pessoa.
“No momento em que uma Secretaria se coloca como parceira, a pauta da oposição se finda, porque o que eles querem é politizar, eles não querem buscar qualidade”, frisou.
ACUSAÇÕES
Durante a sessão ordinária, o deputado Hervázio Bezerra (PSB), líder da bancada de governo nas gestões do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB), alegou que a propositura da oposição tinha o objetivo de causar constrangimento e atingir a honra da ex-secretária de Estado da Administração, Livânia Farias, que está presa pela Operação Calvário.
“O que têm feito alguns companheiros com uma mulher que vem num sofrimento terrível, chamada Livânia Farias. Imagine o sofrimento dos filhos de Livânia? Aqui nesta casa eu sempre disse que parentes de deputados enfrentaram e enfrentam problemas na Justiça e nós chegávamos a comentar de forma reservada. Era por que tínhamos medo? Era conluio? Era frouxidão? Era respeito, porque o que está na Justiça se resolve na Justiça”, disse.
Incomodado com a fala, Raniery Paulino pediu para que Hervázio fosse mais claro e não fizesse insinuações. O emedebista teria entendido que o socialista se referia a sua mãe, a ex-prefeita de Guarabira Fátima Paulino (MDB).
CONFUSÃO GENERALIZADA
Nesse momento, o líder do governo, deputado Ricardo Barbosa (PSB), se dirigiu à tribuna, mas uma troca de acusações foi iniciada no plenário envolvendo os parlamentares Raniery Paulino, Cabo Gilberto (PSL), e Cida Ramos (PSB).
A deputada Pollyana Dutra (PSB), que comandava a sessão naquele momento, tentou conter a confusão, mas sem sucesso. Cida Ramos chegou a afirmar que Raniery Paulino cometeu o crime de calúnia ao acusar o ex-governador Ricardo Coutinho de “ser ladrão”. O emedebista rebateu, mandou a socialista baixar a “bolinha”, e afirmou que Cida Ramos mentiu, que ele “não tem essa postura de atacar as pessoas”.
E, Cida Ramos continuou. A socialista respondeu ao líder da oposição e o acusou de se fazer de vítima. “Gosta de dar uma de vítima, mas não gosta de vitimizar os outros. Então, baixe a bola você”, disse.
SESSÃO ENCERRADA E NOVA CONFUSÃO
Em seguida, a deputada Pollyana Dutra encerrou a sessão alertando para uma possível quebra de decoro parlamentar. Na sequência, a deputada Camila Toscano (PSDB) ocupou a cadeira da presidência e tentou reabrir a sessão dizendo que é a 4ª vice-presidência da ALPB, mandou que os microfones fossem ligados e foi atendida, mas foi alertada conforme consta no Regimento Interno e informada pelo secretário legislativo Guilherme que ela não podia reiniciar a sessão.
EMPURRÕES
No momento que Camila Toscano discutia o reinicio da sessão no grande expediente, o líder do governo, deputado Ricardo Barbosa, tentou desligar os microfones, mas foi impedido pelos oposicionistas Tovar Correia Lima (PSDB) e Cabo Gilberto (PSL). Houve troca de empurrões entre os parlamentares envolvidos atrás da Mesa Diretora.
A confusão foi encerrada após a intervenção de outros deputados, que buscaram acalmar os ânimos dos colegas.
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Por Redação / Portal WSCOM
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Escrito por: Angelo Medeiros
