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Educação

10/11/2019


Para professores, segunda prova do Enem cobra mais conteúdo que raciocínio

Candidatos responderam, neste domingo (10), a 45 questões de matemática e 45 de ciências da natureza.

Antonio Cruz/Agência Brasil

R7

Professores analisaram a segunda prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), ocorrida neste domingo (10), e apontaram que o exame manteve o padrão de edições anteriores. Dessa forma, os candidatos enfrentaram uma prova conteudista.

Candidatos responderam a 45 questões de matemática e 45 de ciências da natureza. A saída, sem o caderno de perguntas, está liberada a partir das 15h50 – os alunos podem levar o caderno somente 30 minutos antes do término oficial do exame, às 18h.

O professor de química, Carlos André, disse que a prova de química abordou diversas questões sobre o cotidiano. “Palha de aço para tirar cheiro de alho da mão, amido para retirar a concentração de sal no feijão. São questões do dia a dia e é justamente essa a abordagem do Enem”, avaliou em entrevista ao Portal R7.

André listou algumas das questões da prova de química: acidez, cálculos de PH em poupas de frutas, amido para salgar o feijão, utilização de café como adubo, entre outros. “É um pouco prematuro, mas a priori a prova foi conteudista”, disse. “Mas a prova aborda de 15 a 20 questões com essa pegada.” O nível de dificuldade da prova, segundo o professor, é de 7.

Eduardo Alves, professor de biologia, avaliou a prova como conteudista e “mais leve” se comparada com a edição de 2018. “O nível está um pouco mais tranquilo, está numa escala 7.”

Alves brincou que, ao longo do ano, ele apostou em uma questão na área de biologia. “A FioCruz está desenvolvendo, de maneira pioneira, uma vacina contra a esquistossomose, e eu disse que teria uma questão sobre isso”, contou. O professor estava certo – uma pergunta sobre a famosa barriga-d’água estava no caderno de questões.

Sérgio Souza, professor de química do cursinho da Poli-USP, contabilizou 17 questões de química na prova – a conta aborda, também, perguntas interdisciplinares. Destas, quatro discutiram o assunto eletroquímica. “O aluno tinha que ter conhecimento a respeito do tema para conseguir responder qualquer uma”, avaliou.

Para a professora de biologia do Sistema de Ensino COC Brunna Coelho, a prova manteve o nível das últimas edições. “Foram duas questões mais complicadas. O restante foi tranquilo”, disse sobre as perguntas biológicas. Segundo a docente, o nível de dificuldade do exame é 7 em uma escala de 0 a 10. Os temas abordados na área de biologia foram, entre outros: imunologia, vacina, vírus, meio ambiente, citologia, relações ecológicas, genética e respiração celular.

“As questões de química, por sua vez, eram bem conteudistas”, apontou o professor de química do Sistema de Ensino COC Luiz Edgar de Carvalho. O docente relembrou ao R7 temas que foram abordados no exame deste domingo: eletroquímica, termoquímica, estequiometria, reações orgânicas, entre outras.

As perguntas mais complicadas, segundo Carvalho, trataram sobre a análise de cadeia orgânica e de eletroquímica. “Se o aluno se preparou bem, consegue fazer”, diz. O professor acredita que o nível de dificuldade da prova é 6, também numa escala de 0 a 10.

O professor de Matemática Moisés Rodrigues da Silva do cursinho da Poli-USP afirmou que o exame não trouxe grandes novidades em relação a 2018. “A única coisa que eu senti falta foi de uma questão mais direta envolvendo uma função de 2º grau ou até uma equação de 2º grau. Nos anos anteriores, sempre tinha uma questãozinha sobre esse assunto”, disse.

Entre as novidades da prova, o docente destacou que, desta vez, foi solicitado ao aluno que calculasse explicitamente um determinado valor em notação científica, o que não ocorreu nas outras provas. A prova de matemática trouxe muitas questões com gráficos, tabelas, dois exercícios de probabilidade e dois exercícios de análise combinatória. “Havia duas questões de logaritmo bem contextualizadas: uma vinculada à escala Richter de terremotos e a outra vinculada ao cálculo de PH”, lembrou Silva.