Exatamente assim: Três gerações e um mesmo legado. Outubro de 2026 poderá reservar à família Porto uma dessas coincidências que parecem costuradas pela própria história. É preciso registrar a força atemporal da imortal Diana Porto nessa História com H maiúsculo.
No dia 4, Maria Porto disputará uma cadeira na Assembleia Legislativa da Paraíba. Três dias depois, em 7 de outubro, seu pai, o desembargador José Ricardo Porto, participará da eleição para a Presidência do Tribunal de Justiça da Paraíba, para o biênio 2027/2028.
Dois caminhos distintos — um submetido ao voto popular, outro à escolha dos integrantes da Corte — que se encontram numa mesma origem: Sílvio Pélico Porto, pai de José Ricardo e avô de Maria.
A ORIGEM
Sílvio Porto deixou sua marca nos três Poderes. Foi deputado estadual por três legislaturas, prefeito de Guarabira, secretário de Estado, procurador do Estado, professor universitário e desembargador do Tribunal de Justiça da Paraíba.
No Judiciário, chegou também à Presidência do Tribunal Regional Eleitoral. Em 1969, teve seus direitos políticos cassados pelo AI-5. Anistiado, retornou à vida pública e, em 1981, chegou ao Tribunal de Justiça pelo Quinto Constitucional.
A SEQUÊNCIA
Décadas depois, José Ricardo Porto percorreria caminho semelhante. Após mais de 30 anos de advocacia, tornou-se desembargador do TJPB, também pelo Quinto Constitucional, em 2010. Agora, seu nome chega à eleição de 7 de outubro para a Presidência da Corte. Porto tem afirmado que, se escolhido pelos seus pares, pretende imprimir uma administração de continuidade, preservando projetos e ações desenvolvidos na gestão do desembargador Frederico Coutinho.
A EXTENSÃO
Mas é na outra ponta dessa história que outubro ganha um significado ainda mais singular.
Maria Luíza Porto, ou simplesmente Maria Porto, candidata pelo União Brasil, integrante da Federação União Progressista, tenta conquistar pelo voto uma cadeira na mesma Assembleia Legislativa onde seu avô exerceu parte importante de sua vida pública.
Advogada e concluinte de Medicina, Maria pertence a uma nova geração. É casada com Matheus Bezerra, prefeito de Bananeiras, e mãe de Mariah e Manuela. Chega à disputa eleitoral levando consigo uma história familiar profundamente vinculada ao Brejo paraibano.
E é impossível contar essa história sem voltar a Guarabira, a Rainha do Brejo. Foi naquela região que Sílvio Porto construiu parcela expressiva de sua trajetória política. Foi prefeito do município e deputado estadual representando a região polarizada por Guarabira.
Sua ligação com a cidade permanece registrada em lugares que guardam sua memória: além do Fórum Eleitoral que leva seu nome, o principal estádio de futebol de Guarabira é o Estádio Sílvio Porto.
E é justamente o futebol guarabirense que aparece entre os compromissos assumidos por Maria Porto. Ela afirma que pretende destinar, entre suas primeiras emendas parlamentares, recursos para incentivar e fortalecer o futebol de Guarabira, hoje atravessando um período de dificuldades, com o objetivo de contribuir para que o clube da cidade possa se reestruturar e buscar o retorno à primeira divisão do Campeonato Paraibano.
Há simbolismo nisso. O estádio que guarda o nome do avô poderá ser também um dos primeiros destinos da atuação parlamentar pretendida pela neta.
O FUTURO
Agora é Maria quem percorre aquelas ruas e municípios em busca da confiança popular.
Há nisso uma bonita simetria.
O filho seguiu o pai no Judiciário. A neta busca reencontrar o avô no Legislativo.
Mas há uma diferença essencial — e talvez esteja nela a maior beleza dessa história: cargo público não se transmite por herança. José Ricardo precisou construir sua própria trajetória profissional até chegar ao Tribunal. Maria, por sua vez, terá de receber nas urnas a confiança dos paraibanos.
Não se herdam mandatos.
Não se herdam cargos.
Herdam-se exemplos, valores e a responsabilidade de honrar uma história.
Por isso, os primeiros dias de outubro terão inevitavelmente um componente de emoção para essa família.
Se fosse possível imaginar Sílvio Porto acompanhando tudo de algum lugar, talvez seu olhar se dividisse entre dois endereços que conheceu tão bem: o Tribunal de Justiça e a Assembleia Legislativa.
Em um, o filho, na outra, a possibilidade de ver chegar a neta.
E, entre os dois, Guarabira — a velha Rainha do Brejo — como testemunha de uma história que começou muitas décadas atrás e que uma nova geração procura continuar escrevendo.
Três gerações. Dois Poderes. Uma mesma compreensão de que a vida pública só encontra sentido quando colocada a serviço das pessoas, do respeito às instituições e, acima de tudo, da democracia.
Talvez esteja justamente aí a maior herança deixada por Sílvio Porto: ele, que conheceu na própria pele a força do arbítrio, deixou aos seus a convicção de que cargos passam, gerações se sucedem, mas a democracia precisa permanecer.
Eis um exemplo singular na Paraíba.
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“O olho que existe / é o que vê”

