O Liceu Paraibano tem uma história que remonta a 1836. Funcionou inicialmente no antigo Convento de São Gonçalo, onde mais tarde se instalaria a Faculdade de Direito da UFPB, ao lado do Palácio da Redenção. Em 1937, o então governador Argemiro de Figueiredo construiu, na Avenida Getúlio Vargas, o belo prédio que até hoje abriga a instituição.
O ensaísta e cronista paraibano José Rafael de Menezes classificou o Liceu como a “matriz intelectual da Paraíba”. Pelos seus bancos escolares passaram algumas das maiores expressões da vida política, cultural e artística do Estado. Quase todos os governadores da Paraíba estudaram ali. Nomes célebres da nossa história, como José Américo de Almeida, Argemiro de Figueiredo, Celso Furtado, João Pessoa, João Agripino e Abelardo Jurema, frequentaram aquele educandário. O grande poeta Augusto dos Anjos não apenas estudou no Liceu, como também foi seu professor.
Na década de 1960, quando estive matriculado naquele que era considerado o mais tradicional colégio da Paraíba, cursei os dois últimos anos do ginásio e as três séries do curso clássico. Os estudantes que pretendiam prestar vestibular nas áreas de ciências humanas e sociais seguiam o clássico. Já os que se inclinavam para as ciências da exatas ou biológicas optavam pelo científico, que, entre nós, distinguíamos informalmente como científico de engenharia e científico de medicina.
Naquele tempo, o Liceu possuía o que talvez fosse o melhor corpo docente da educação paraibana. Tivemos como professores juízes, médicos, advogados renomados, professores universitários, engenheiros e educadores de grande prestígio. Recordo alguns nomes que me vêm à memória: Wilson da Cunha, Milton Viana, Afonso Pereira, Fernando Barbosa, José Otávio de Arruda Melo, Daura Santiago Rangel, diretora por muitos anos, Quinídio, Perez, Aníbal Moura e Argentina Pereira.
O Liceu também foi palco de grandes acontecimentos. Tornou-se uma espécie de quartel-general da política estudantil paraibana, verdadeiro laboratório de formação das lideranças secundaristas. Nem mesmo quando a ditadura militar tentou desarticular o movimento estudantil, proibindo os diretórios e criando os chamados grêmios literários, conseguiu conter o espírito de inquietação da juventude daquele tempo. O Grêmio Literário Daura Santiago Rangel, apesar das restrições e dos riscos, continuou exercendo um papel de mobilização e consciência política.
Minha passagem pelo Liceu me traz lembranças de um tempo de intensa efervescência. O colégio era muito mais do que um espaço de aprendizagem formal. Foi, para toda uma geração, uma verdadeira escola de formação cívica e consciência política.
O Liceu não formou apenas estudantes.
Formou consciências.