Ontem à noite, fui dormir com um profundo sentimento de orgulho por ter feito parte deste momento histórico nacional. Não se trata de um orgulho individual, mas da satisfação de integrar uma parcela da sociedade brasileira que compreendeu a necessidade de unir forças para defender a democracia e preservar a soberania do nosso país.
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A consciência de ter me posicionado de acordo com os princípios em que acredito me proporciona a tranquilidade de quem entende ter cumprido seu dever cívico. Estive ao lado daqueles que não aceitaram a possibilidade de o Brasil mergulhar novamente em um abismo autoritário, colocando em risco as liberdades conquistadas com tanta luta.
Também me sinto orgulhoso de ter nascido no Nordeste, região que mais uma vez demonstrou sua força política e sua capacidade de influenciar decisivamente os rumos do país. O povo nordestino reafirmou seu protagonismo nesta virada histórica, contribuindo para a continuidade de um projeto político que tem na inclusão social e na defesa da democracia algumas de suas principais bandeiras.
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Nosso conterrâneo Luiz Inácio Lula da Silva consolida, com essa nova vitória, uma trajetória extraordinária na política brasileira. Sua história ultrapassa as fronteiras nacionais. O retirante nordestino que enfrentou tantas dificuldades tornou-se uma liderança reconhecida internacionalmente, associada à defesa dos mais pobres, ao combate à fome e à redução das desigualdades sociais.
Lula demonstra que a experiência de vida, a capacidade de compreender as necessidades do povo e a disposição para aprender também são fundamentais para governar um país complexo como o Brasil. Sua trajetória não foi construída sem obstáculos. Ao contrário, foi marcada por adversidades, enfrentamentos políticos e tentativas de desacreditar sua liderança. Ainda assim, ele chegou novamente à Presidência conduzido pelo voto popular, instrumento fundamental da soberania democrática.
A defesa da democracia sempre esteve no centro de sua trajetória política. Por isso, esta vitória representa, para seus apoiadores, muito mais do que a conquista de um mandato: simboliza a continuidade de uma luta por um país menos desigual, no qual os direitos sociais sejam respeitados e as instituições democráticas preservadas.
O resultado deste segundo turno também revelou a importância da participação de diferentes gerações. A juventude voltou a ocupar as ruas e a demonstrar interesse pelos destinos do Brasil. Cidadãos com mais de setenta anos, dispensados da obrigatoriedade do voto, também compareceram às urnas, movidos pela memória de tempos sombrios que não desejalvam ver repetidos. Somaram-se a eles milhões de brasileiros que reconhecem a importância das políticas públicas de inclusão social para a melhoria das condições de vida da população.
Foi essa convergência de forças, com suas diferentes motivações e experiências, que deu significado especial a este momento.
A democracia não se sustenta apenas nas instituições: depende também da consciência cidadã, da memória histórica e da disposição coletiva de defender direitos que jamais devem ser considerados definitivamente conquistados.
Nesta segunda-feira, depois das comemorações, respiramos aliviados diante da perspectiva de continuidade do processo de consolidação democrática iniciado com o fim da ditadura militar. Sabemos, porém, que a democracia exige vigilância permanente, respeito às diferenças e compromisso com a Constituição.
Outro aspecto fundamental deste momento é a defesa da soberania nacional. O Brasil precisa manter relações internacionais respeitosas, sem se submeter aos interesses de qualquer potência estrangeira. A capacidade de decidir seus próprios rumos, defender seus recursos e estabelecer parcerias de acordo com os interesses de seu povo é condição indispensável para que o país exerça plenamente sua independência.
Hoje, o sentimento que me acompanha é o de dever cumprido. Como escritor e historiador que dedicou parte de sua trajetória a preservar a memória da ditadura militar, considero especialmente significativo participar de um momento em que a democracia voltou a ocupar o centro das preocupações nacionais.
A história nos ensina que nenhuma conquista democrática está livre de ameaças. Por isso, não basta comemorar uma vitória eleitoral: é preciso transformar esse resultado em compromisso permanente com a liberdade, a justiça social e a soberania brasileira.
O Brasil pertence ao seu povo. A democracia é uma conquista de todos. E a soberania nacional não se negocia.
