O que estamos presenciando nesta campanha presidencial é, na minha avaliação, um verdadeiro escárnio ao povo brasileiro. Quando perdões de dívidas e pacotes de benefícios são apresentados às vésperas da eleição, cabe perguntar: são políticas planejadas para atender à população ou instrumentos para conquistar votos?
O contribuinte que paga seus impostos merece respeito. A concessão recorrente de perdões pode transmitir uma mensagem perversa: cumprir as obrigações custa caro; deixar de cumpri-las pode valer a pena, porque o próximo calendário eleitoral talvez traga uma nova oportunidade de renegociação.
Não condeno medidas que aliviem dificuldades reais das famílias e das empresas. Questiono seu uso eleitoral, a falta de critérios transparentes e a injustiça com quem cumpriu suas obrigações mesmo enfrentando sacrifícios.
Minha crítica ao presidente Lula e ao PT é esta: o poder público não pode ser tratado como patrimônio de um projeto de permanência no poder. Recursos públicos pertencem à sociedade e exigem responsabilidade, transparência e fiscalização.
As instituições responsáveis pelo controle precisam examinar essas medidas com independência. Se houver irregularidades, devem existir consequências, qualquer que seja o governante.
Um país perde a confiança quando seus cidadãos passam a acreditar que o crime compensa e que os poderosos estão acima da lei. O Brasil merece um governo que respeite o contribuinte, instituições que cumpram seu papel e uma eleição em que o dinheiro público não seja usado para comprar gratidão política.
Leonardo Forte
