O velho ditado popular, apesar de simples, carrega uma verdade que atravessa gerações. É justamente por isso que o desafio lançado pelo presidente Lula merece ser levado a sério: o Brasil precisa conhecer o que já foi apurado no inquérito do Banco Master.
A transparência é, neste momento, o melhor caminho para afastar suspeitas, impedir manipulações e permitir que a sociedade saiba quem são os personagens envolvidos naquele que se apresenta como um dos mais graves escândalos financeiros do país.
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O que não pode acontecer é uma investigação dessa magnitude transformar-se em instrumento de disputa política, com informações sendo preservadas seletivamente, vazamentos escolhidos a dedo e versões cuidadosamente construídas para produzir dividendos eleitorais. Se isso estiver acontecendo, estaremos diante de uma grave distorção do próprio sentido da Justiça.
A pergunta que não quer calar é simples: por que não tornar públicos, dentro dos limites legais, os elementos da investigação que já podem ser conhecidos pela sociedade? O que exatamente se pretende preservar sob sigilo? E por quanto tempo?
Será que teremos de esperar até depois das eleições para conhecer informações que poderiam ser decisivas para o eleitor?
Uma democracia não pode conviver com a suspeita de que informações relevantes estejam sendo administradas conforme conveniências eleitorais.
É preciso deixar claro: não se está defendendo a exposição irresponsável de pessoas nem a violação do devido processo legal. O que se exige é transparência, isonomia e respeito ao direito da sociedade de conhecer fatos que tenham relevância pública e que já possam ser divulgados legalmente.
Quem tiver culpa deverá responder por seus atos. Quem for inocente deverá ter o direito de demonstrá-lo. Mas ninguém pode ser condenado pela opinião pública por meio de vazamentos seletivos, nem protegido por mecanismos de silêncio quando existirem informações que, legalmente, já possam vir a público.
Essa é uma questão que ultrapassa partidos e candidatos. É uma questão de democracia. O calendário eleitoral não pode ser utilizado como justificativa para esconder informações relevantes do eleitor, assim como a proximidade das eleições não pode servir de pretexto para transformar uma investigação criminal em arma política.
O eleitor brasileiro tem o direito de saber quem é quem. Precisa chegar às urnas conhecendo os fatos disponíveis, e não sendo conduzido por versões produzidas por vazamentos, interesses partidários ou estratégias eleitorais.Por isso, o apelo à transparência deve ser de toda a sociedade.
Unamo-nos à defesa da verdade e da publicidade dos fatos que já possam ser legalmente revelados.
E se houver, em qualquer esfera, autoridade ou agente público deliberadamente utilizando o sigilo para proteger interesses particulares ou eleitorais, que os mecanismos institucionais de controle apurem essa conduta e, comprovada eventual irregularidade, responsabilizem quem tiver de ser responsabilizado.
A democracia não combina com segredos seletivos. O eleitor não pode votar às cegas. E a verdade, quando pode ser conhecida, não deve esperar a eleição para aparecer.