O Mês do Rock continua a todo vapor! Em uma conversa virtual com o músico e amigo Allysson Strad, que está na co-produção de mídias do Cajá Rock, consegui reunir algumas informações bem bacanas. Hoje vamos falar sobre um dos eventos mais marcantes do interior da Paraíba, um festival que há quase três décadas fortalece a cena do rock independente: o Cajá Rock.
Quando a gente fala em festivais que realmente fizeram diferença para o rock independente da Paraíba, o Cajá Rock merece um lugar de destaque. Muito antes de o termo “economia criativa” virar moda ou de editais culturais fortalecerem a cena, o festival já mostrava que o interior também podia ser palco para o rock autoral.

Idealizado e produzido por Osvaldo Moésia, o Cajá Rock nasceu em 1997, na cidade de Cajazeiras, no alto sertão paraibano. A proposta era simples, mas carregava um grande propósito: criar um espaço onde bandas de rock pudessem se apresentar, trocar experiências, homenagear personalidades da cidade e aproximar a comunidade por meio de debates, palestras e workshops. A primeira edição aconteceu na ACI – Associação Cajazeirense de Imprensa, marcando o início de uma trajetória que atravessaria gerações e consolidaria o festival como um dos mais importantes do interior da Paraíba.
De lá para cá, o Cajá Rock não parou mais. Já são 28 edições oficiais e um Esquenta, enquanto a produção já prepara a 29ª edição e o 2º Esquenta. Grande parte dessa caminhada foi possível graças aos editais públicos de incentivo à cultura, fundamentais para manter o festival pulsando e fortalecendo a cena independente.
E quem acha que o Cajá Rock ficou restrito ao sertão está muito enganado. Ao longo de quase três décadas, o palco do festival recebeu bandas de praticamente todas as regiões da Paraíba, passando por cidades como Cajazeiras, Sousa, Pombal, João Pessoa, Campina Grande, Sapé, Catolé do Rocha e Bom Jesus.
Mas o intercâmbio foi muito além das divisas do estado. O festival também reuniu artistas de Pernambuco, Maranhão, Ceará, Bahia, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Amazonas e Alagoas, mostrando que o rock não conhece fronteiras. E a conexão internacional também faz parte dessa história, com bandas vindas da Argentina e da Finlândia, além de uma trupe de circo da Itália, que ajudou a tornar a experiência do festival ainda mais diversa.

“Fico muito feliz de participar de mais uma edição do Cajá Rock, estive na 17° edição quando guitarrista da Vampire’s Night, retornando pra 28° e agora 29° com meus projetos The Bluesy Brothers e show solo. O fato de termos aqui no alto sertão um evento desses que acontece desde 1997 é motivo de muito orgulho pra nós, os rockeiros de interior, pois muitas vezes o evento é feito na raça mesmo, com ou sem edital, só pela vontade de fazer o rock acontecer em uma cidade que está longe demais das capitais. Estive morando em João Pessoa por quase 10 anos, tive a oportunidade de conhecer e prestigiar várias bandas da cena pessoense como a Papangu, Incessante, Zefirina Bomba, Disunidos, Headspawn, Limbo Perdido, Dead Nomads, Sob Aviso, Egrégora e várias outras mais, mas sempre em conexão com a cena de Cajazeiras, contando pra galera o que estava vendo por lá e com esse desejo muito forte de poder contribuir mais ainda”, comenta Allysson.
“Nesse palco do Cajá Rock já vi passarem Conspiração Apocalipse, Baião d’Doido, Arlequim, Danos Morais, Pegado e tantas bandas históricas da nossa cidade, e agora com a nossa nova geração de bandas, vejo um momento de renovação do nosso público. O Cajá Rock coloca Cajazeiras na rota do rock do nordeste, quando trazemos as bandas de outros estados pra virem mostrar seu som aqui, e acaba sendo um grande intercâmbio cultural, uma troca de ideias em que todo mundo sai mais fortalecido”, completou.
Quase 30 anos depois, o Cajá Rock segue firme como um dos maiores símbolos de resistência da cultura alternativa no sertão paraibano. Mais do que um festival, ele se tornou um ponto de encontro entre gerações, onde bandas veteranas dividem o palco com novos nomes da cena, fortalecendo o rock autoral, incentivando a produção cultural e movimentando a economia criativa da região.
O Cajá Rock continua provando que o rock independente resiste quando existe paixão, organização e gente disposta a fazer acontecer. E, pelo jeito, essa história ainda tem muitos capítulos para escrever.
Fotos: Lucas Japhet e John By Me

