João Pessoa cresce verticalmente em velocidade impressionante.
Prédios cada vez mais altos dominam a paisagem urbana.
Torres de luxo surgem em todos os bairros.
Empreendimentos modernos se multiplicam.
Mas existe uma pergunta extremamente séria que precisa ser feita:
A estrutura de segurança dessas edificações está crescendo na mesma velocidade da verticalização da cidade?
Porque não basta construir prédios altos.
É preciso garantir segurança real às pessoas que vivem, trabalham e circulam dentro deles.
A própria Lei Municipal nº 1.955/2021 já reconhece oficialmente o risco coletivo existente nas edificações e equipamentos prediais.
O Artigo 2º, inciso VIII, inclui expressamente:
- elevadores;
- escadas rolantes;
- instalações elétricas;
- geradores;
- sistemas complementares de engenharia;
como equipamentos sujeitos à inspeção obrigatória.
O Artigo 8º determina a obrigatoriedade do Laudo Técnico de Inspeção Predial para identificar:
- falhas;
- anomalias;
- patologias;
- riscos à segurança dos usuários.
E o mais grave:
o Artigo 10, §6º, determina que, diante de risco à segurança da edificação, o profissional responsável deve comunicar à Defesa Civil e ao Corpo de Bombeiros.
Ou seja:
a própria lei já admite oficialmente a possibilidade de situações graves envolvendo risco coletivo.
Mas a população precisa começar a discutir algo ainda mais preocupante:
O que aconteceria hoje em João Pessoa diante de um incêndio de grandes proporções em um edifício muito alto?
Essa é uma pergunta que ninguém gosta de fazer.
Mas ela precisa ser enfrentada antes da tragédia, e não depois dela.
O Brasil já assistiu cenas dramáticas:
- incêndios em edifícios;
- pessoas presas em andares elevados;
- dificuldades extremas de resgate;
- fumaça se espalhando rapidamente;
- pânico coletivo;
- elevadores inutilizados;
- escadas insuficientes;
- sistemas de combate a incêndio falhando.
E quanto mais alto o prédio, maior o desafio operacional.
Existe ainda uma discussão extremamente delicada, mas necessária:
a real capacidade operacional do Corpo de Bombeiros para resgates em edifícios cada vez mais altos.
João Pessoa vive hoje um processo acelerado de verticalização.
Enquanto isso, a população precisa saber:
as escadas Magirus atualmente disponíveis possuem alcance suficiente para acessar andares superiores das novas torres que estão sendo construídas?
Essa pergunta não é ataque ao Corpo de Bombeiros.
Muito pelo contrário.
É um alerta institucional sério sobre a necessidade urgente de investimentos públicos compatíveis com a nova realidade urbana da cidade.
Os bombeiros são profissionais extremamente preparados e corajosos.
Arriscam suas próprias vidas diariamente.
Mas coragem humana não substitui estrutura operacional.
Nenhum bombeiro do mundo combate incêndios em grandes alturas apenas com heroísmo.
É necessário:
- tecnologia;
- equipamentos modernos;
- escadas de grande alcance;
- plataformas elevatórias;
- sistemas de salvamento vertical;
- treinamento contínuo;
- logística adequada.
Porque, em um incêndio em prédio alto:
- o elevador deixa de ser opção;
- a fumaça sobe rapidamente;
- pessoas ficam encurraladas;
- idosos e crianças têm dificuldade de evacuação;
- o tempo de resposta se torna decisivo entre vida e morte.
A Lei nº 1.955/2021 ainda determina, em seu Artigo 17, inciso III, a necessidade de comprovação do Certificado de Conformidade do Sistema de Proteção Contra Incêndio e Pânico emitido pelo Corpo de Bombeiros.
Isso demonstra que o próprio legislador reconheceu a gravidade do risco de incêndios nas edificações verticais.
Mas é preciso dizer com clareza:
não basta aprovar projetos e liberar construções cada vez mais altas sem discutir simultaneamente:
- capacidade de resgate;
- capacidade de evacuação;
- alcance operacional dos bombeiros;
- estrutura de combate a incêndios em altura;
- modernização dos equipamentos públicos.
A cidade cresce.
Os prédios crescem.
O risco cresce.
A pergunta é:
a estrutura de prevenção e salvamento está crescendo também?
Porque quando acontece uma tragédia em um edifício alto, não existe segunda chance.
E depois que o incêndio começa, não adianta procurar culpados.
Não adianta criar comissões.
Não adianta discursos emocionados.
Não adianta lamentar vidas perdidas.
Prevenção não dá audiência.
Mas salva famílias inteiras.
A sociedade brasileira precisa abandonar a cultura de agir apenas depois da morte.
Negligenciar manutenção predial, elevadores, sistemas contra incêndio e capacidade operacional de resgate é brincar perigosamente com vidas humanas.
E quando uma tragédia acontece em um grande edifício, não desaba apenas concreto.
Desaba também a falsa sensação de segurança construída pela omissão silenciosa do poder público, da fiscalização e da irresponsabilidade coletiva.
