Leonardo Forte: Prédios altos de João Pessoa expõem ilusão de segurança em elevadores e incêndios

Vista aérea do bairro do Bessa, em João Pessoa

João Pessoa cresce verticalmente em velocidade impressionante.
Prédios cada vez mais altos dominam a paisagem urbana.
Torres de luxo surgem em todos os bairros.
Empreendimentos modernos se multiplicam.

Mas existe uma pergunta extremamente séria que precisa ser feita:

A estrutura de segurança dessas edificações está crescendo na mesma velocidade da verticalização da cidade?

Porque não basta construir prédios altos.
É preciso garantir segurança real às pessoas que vivem, trabalham e circulam dentro deles.

A própria Lei Municipal nº 1.955/2021 já reconhece oficialmente o risco coletivo existente nas edificações e equipamentos prediais.

O Artigo 2º, inciso VIII, inclui expressamente:

  • elevadores;
  • escadas rolantes;
  • instalações elétricas;
  • geradores;
  • sistemas complementares de engenharia;

como equipamentos sujeitos à inspeção obrigatória.

O Artigo 8º determina a obrigatoriedade do Laudo Técnico de Inspeção Predial para identificar:

  • falhas;
  • anomalias;
  • patologias;
  • riscos à segurança dos usuários.

E o mais grave:
o Artigo 10, §6º, determina que, diante de risco à segurança da edificação, o profissional responsável deve comunicar à Defesa Civil e ao Corpo de Bombeiros.

Ou seja:
a própria lei já admite oficialmente a possibilidade de situações graves envolvendo risco coletivo.

Mas a população precisa começar a discutir algo ainda mais preocupante:

O que aconteceria hoje em João Pessoa diante de um incêndio de grandes proporções em um edifício muito alto?

Essa é uma pergunta que ninguém gosta de fazer.
Mas ela precisa ser enfrentada antes da tragédia, e não depois dela.

O Brasil já assistiu cenas dramáticas:

  • incêndios em edifícios;
  • pessoas presas em andares elevados;
  • dificuldades extremas de resgate;
  • fumaça se espalhando rapidamente;
  • pânico coletivo;
  • elevadores inutilizados;
  • escadas insuficientes;
  • sistemas de combate a incêndio falhando.

E quanto mais alto o prédio, maior o desafio operacional.

Existe ainda uma discussão extremamente delicada, mas necessária:
a real capacidade operacional do Corpo de Bombeiros para resgates em edifícios cada vez mais altos.

João Pessoa vive hoje um processo acelerado de verticalização.
Enquanto isso, a população precisa saber:
as escadas Magirus atualmente disponíveis possuem alcance suficiente para acessar andares superiores das novas torres que estão sendo construídas?

Essa pergunta não é ataque ao Corpo de Bombeiros.
Muito pelo contrário.
É um alerta institucional sério sobre a necessidade urgente de investimentos públicos compatíveis com a nova realidade urbana da cidade.

Os bombeiros são profissionais extremamente preparados e corajosos.
Arriscam suas próprias vidas diariamente.
Mas coragem humana não substitui estrutura operacional.

Nenhum bombeiro do mundo combate incêndios em grandes alturas apenas com heroísmo.
É necessário:

  • tecnologia;
  • equipamentos modernos;
  • escadas de grande alcance;
  • plataformas elevatórias;
  • sistemas de salvamento vertical;
  • treinamento contínuo;
  • logística adequada.

Porque, em um incêndio em prédio alto:

  • o elevador deixa de ser opção;
  • a fumaça sobe rapidamente;
  • pessoas ficam encurraladas;
  • idosos e crianças têm dificuldade de evacuação;
  • o tempo de resposta se torna decisivo entre vida e morte.

A Lei nº 1.955/2021 ainda determina, em seu Artigo 17, inciso III, a necessidade de comprovação do Certificado de Conformidade do Sistema de Proteção Contra Incêndio e Pânico emitido pelo Corpo de Bombeiros.

Isso demonstra que o próprio legislador reconheceu a gravidade do risco de incêndios nas edificações verticais.

Mas é preciso dizer com clareza:
não basta aprovar projetos e liberar construções cada vez mais altas sem discutir simultaneamente:

  • capacidade de resgate;
  • capacidade de evacuação;
  • alcance operacional dos bombeiros;
  • estrutura de combate a incêndios em altura;
  • modernização dos equipamentos públicos.

A cidade cresce.
Os prédios crescem.
O risco cresce.

A pergunta é:
a estrutura de prevenção e salvamento está crescendo também?

Porque quando acontece uma tragédia em um edifício alto, não existe segunda chance.

E depois que o incêndio começa, não adianta procurar culpados.
Não adianta criar comissões.
Não adianta discursos emocionados.
Não adianta lamentar vidas perdidas.

Prevenção não dá audiência.
Mas salva famílias inteiras.

A sociedade brasileira precisa abandonar a cultura de agir apenas depois da morte.

Negligenciar manutenção predial, elevadores, sistemas contra incêndio e capacidade operacional de resgate é brincar perigosamente com vidas humanas.

E quando uma tragédia acontece em um grande edifício, não desaba apenas concreto.
Desaba também a falsa sensação de segurança construída pela omissão silenciosa do poder público, da fiscalização e da irresponsabilidade coletiva.

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