Começou a fase tradicional (?) do São João no Nordeste brasileiro como referência de base cultural com Campina Grande rivalizando com Caruaru, Mossoró, Aracajú e Salvador a primazia de quem tem a maior festa. A denominação suscita esta provocação de grandeza, cujos valores em torno dele precisam ser avaliados porque afetam a essência e a qualidade.
De alguma forma, abordamos com algum conhecimento de causa porque estivemos desde a criação da festa nos anos 80 quando da criação da Pirâmide e Parque do Povo em lugar amadoristicamente iniciado pelo ex-prefeito Enivaldo Ribeiro.
Ronaldo, sensível e deslumbrante, teve visão, aceitou o desafio e deu certo tirando a primazia de Caruaru. Qual a essência? A qualidade musical elaborada por sua equipe e posta em prática.
Nando Cordel, Assizão, Flávio José, Trio Nordestino, Alcymar Monteiro, Pinto do Acordeon, Novinho da Paraíba, Marinês e Sua Gente, Genival Lacerda, Jorge de Altinho, Biliu de Campina, etc, era essa gente que levou Ronaldo e Campina a serem referência no Brasil e no Mundo.
Elba, Zé Ramalho, Geraldinho eram cereja gostosa do bolo, mas o moído mesmo estava com os forrozeiros da gema.
BUSINESS, SÓ BUSINESS?
Em nome da auto sustentação, a Prefeitura de Campina Grande rendeu-se à Terceirização e por conta dela submeteu-se às regras de mercado geralmente impondo o “produto” do modismo e não o valor artístico especializado, geralmente dando mais autenticidade ao contexto.
De alguma forma, Romero Rodrigues fez opção de caso pensado pelo Modismo acatando de goela a baixo o Vendável circunstancial porque, como a cena comprova, se nivelou aos eventos de Sertanejo do Interior de São Paulo, Centro Oeste, etc.
E não se trata de purismo porque ele poderia, e pode preservar o contraponto de peso com os artistas autênticos de nossos festejos juninos.
Em síntese, o Maior São João do Mundo de hoje poderia ser produzido em Barretos ou Goiânia – berços desse modelo que faz Campina Grande dar as costas à Cultura popular e aos artistas autênticos nivelando-se ao descartável de longe perdendo gradativamente sua originalidade e essência.
Isto é que pode se chamar de avanços à marcha ré ou, como se diz lá na Torre, a esperteza come o dono.
