O juiz Sérgio Moro tomou uma decisão que pode mexer com todo tabuleiro político do País, inclusive da Paraíba porque, como premissa legal, o ato judicial enseja a perspectiva de forçar a delação premiada do ex-deputado federal Eduardo Cunha e até gerar entornos e clima para o que ele (Moro) se preparou para fazê-lo, que é pedir a prisão do ex-presidente Lula.
Uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas o cenário midiático serve como pretexto argumentatório, mesmo não legitimamente juridico, para adotar a medida extremada em torno do maior nome da Esquerda do Brasil e da América do Sul.
UM ATO EXTREMO, MAS ‘JUSTIFICADO’
A decisão de Sérgio Moro intuir na cabeça dos milhões de brasileiros de que se trata de uma medida justa, esperada, entretanto, pode desconsiderar elementos juridicos fundamentais porque a questão da cassação pode não ser a mesma da causa da prisão.
Exempliquemos para melhor juizo:
A prisão de agora se baseia em uma ação cautelar que pedia a prisão preventiva do ex-deputado em fase anterior, entretanto, essa mesma ação – se é esta a motivação legal – foi extinta pelo Supremo Tribunal Federal.
Aliás, ele utiliza-se de fundamental da ação extinta anteriormente, bem como de outros inquéritos que não estão sob sua jurisdição, portanto, em sendo verdade esta premissa judicial ele está extrapolando de seus poderes.
Este, aliás, é o argumento da defesa de Eduardo Cunha.
O FOCO É MESMO LULA
Nas rodas politicas de Brasília e de Curitiba, a medida adotada pelo juiz Sérgio Moro tem pretensão pré-deliberada de chegar em Lula, seu maior alvo, além do Partido dos trabalhadores.
O caso é tão sério que o líder do DEM na Câmara, deputado Pauderney Avelino (AM), já propagandeia nos bastidores que “a prisão de Cunha abre caminho para a prisão de Lula”.
Em outras palavras, uma forma de dizer que agora não há mais discrepâncias ou razões para que o ex-presidente fique solto.
Isto é tão forte que, por exemplo, a jornalista Palmério Doria divulgou sua tese nessa linha: “Absolutamente contra a vontade de Moro, a prisão de Cunha é apenas um álibi para o encarceramento de Lula”.
O CASO DA PARAIBA
Na escala de valores e de foco, a Paraíba está no “rabo da gata” – no bom sentido do povo filosófico do bairro da Torre, segundo o qual se tiver de chegar em nosso estado só depois de pegar os bichos papões.
Mas, não vamos ignorar nenhum elemento importante porque Eduardo Cunha tinha relações com diversos parlamentares e lideres da Paraiba, embora eles não estejam na prioridade dos fatos.
Seja como for, para não sermos precipitados e irresponsáveis, aguardemos mais um pouco para dimensionar quem é quem na Pariaba nesse contexto de sérios e graves problemas.
