Em 1995 estávamos na comunidade do Coque, um dos bairros mais violentos e de menor Índice de Desenvolvimento Humano de Recife, PE; no endereço do Centro Espírita Esperança e Caridade, desenvolvendo um trabalho de cidadania, buscando ajuda de empresas que sensibilizassem no sentido de doar micro computadores e acessórios para montar ali, um mini-curso de informática e ação social, incluindo exibição de filmes, palestras, amostras, passeios turísticos, shows, art door, etc.
Com ajuda de uma escola que havia próximo, obtivemos a primeira parceria para ensinamentos básicos de pedagogia, e doação de alguns móveis; e formamos um grupo de voluntários, e assim as primeiras turmas do curso que denominamos Janelas do Futuro. Crianças, adolescentes e até adultos começaram a se encantar pelo fantástico mundo da informática.
Mais tarde reencontramos antigos alunos, agora formados, trabalhando em empresas de administração, grandes escritórios em Boa Viagem, e soubemos de outros que seguiram alçando voos para países estrangeiros. Uma das alunas nos confirmou que foi ali, no curso, que recebeu os primeiros incentivos para aprender informática e que estava servindo para o bom emprego que conseguiu. Naquele momento lembrei as iniciantes no campo das drogas, da prostituição, os desocupados, os desesperançados, os sem amor, sem teto, sem autoestima; e pude entender que na vida, ajudar pelo menos uma pessoa já é algo importante. Abrir portas para o futuro.
Anos depois, no governo do presidente Lula, também no Coque, foi fundada a Orquestra Cidadã, um projeto idealizado pelo Juiz de Direito João José Rocha Targino, e liderado pelo falecido maestro Cussi de Almeida. O programa funciona desde 2006 e visa o resgate social de crianças carentes através da música, com excelente repercussão nacional e internacional, e a participação de grandes empresas e bancos que agregam valores de responsabilidade social.
Na tarde desta quinta–feira 27.08.15, no bairro Alto do Mateus, presenciamos o lançamento do projeto Ação Social Pela Música do Brasil, Núcleo João Pessoa, em parceria da Petrobrás e prefeitura, que forma orquestras jovens e mantém outras atividades através da música.
A ASMB é uma organização não governamental fundada desde 1994, fruto do sonho do falecido maestro David Machado, de implantar um projeto modelo já existente em muitos países, abrangendo milhares de jovens e afastando-os do ócio, da vulnerabilidade, e risco de atividades perniciosas.
A prática pedagógica é estruturada em quatro pilares da Educação: Aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver junto e aprender a ser. Empenho, disciplina, respeito aos colegas, são valores formadores de cidadania em sua concepção, além de abrir caminho para a profissionalização pela música.
O prefeito Luciano Cartaxo, e o diretor presidente da Funjope, Maurício Burity, estiveram presentes falando sobre a importância desta ação que vem transformar vidas e garantir futuro aos jovens da comunidade.
Após tantos anos, podemos afirmar que não é muito difícil quando se deseja investir nos jovens, no próximo, na comunidade. Não é apenas o dinheiro que trará soluções. Mas a solidariedade, o agrupamento de pessoas e ideias e ação prática. Para saber, há hoje no mundo mais de 140 milhões de voluntários, pessoas que de uma ou outra maneira dedicam parte de seu tempo disponível a ajuda de outras, necessitadas, tanto no campo social como na saúde, dificuldades com locomoção, idade, cuidados com crianças, acompanhamento a drogados, doentes mentais, moradores de rua, etc. Pensem nisso, nas Janelas do Futuro.
Gil Sabino é jornalista e gestor de marketing.
g.sabino@uol.com.br
Escrito por: Gil Sabino