Nem todo mundo sabe usar da autoridade quando dela está investido. Muitos a confundem com poder de domínio e força sobre outros, se excedendo no exercício da prerrogativa de mando. O conceito de autoridade está relacionado à hierarquia, competência de liderança e gestão, posição de orientação no agir.
A autoridade imposta de forma coercitiva se transforma em postura despótica, tirana. A autoridade tem que ser respeitada, não temida. Quando alguém quer se afirmar como autoridade tem que, prioritariamente, compreender que precisa ser aceito como tal, não como um dominador. A autoridade não coage, se impõe como exemplo e como guia de orientação.
A maneira mais tradicional de se manifestar autoridade é resultante de hábitos culturais, costumes. A autoridade dos mais velhos para com os mais novos, dos pais em relação aos filhos, dos professores em salas de aula, dos religiosos diante dos fiéis, etc. A obediência é consequência da reverência.
Ela também se revela através do carisma. É a autoridade conquistada, informal. Características pessoais que produzem admiração a ponto de torná-la legitima como disciplinadora, líder, conselheira. A subordinação se faz naturalmente, sem qualquer imposição.
No entanto, a mais vulnerável a influências de valores negativos de personalidade é a autoridade burocrática, constituída legalmente ou por normativas de organizações. Essa dá a falsa ilusão de poder. Influir, coordenar e organizar são atribuições inerentes ao exercício da autoridade. No entanto, isso não dá o direito de exacerbar, humilhar, constranger, com o objetivo de fazer valer o seu poder de comando. É abuso de autoridade.
O que estou querendo refletir é sobre a necessidade de estarmos sempre preparados conscientemente para perceber os limites de competência de uma autoridade a que somos submetidos, assim como suficientemente habilitados a exercer com tranquilidade e justiça a alçada de responsabilidades que nos forem atribuídas quando guindados a um posto de autoridade. Não deixar que a embriaguez do poder corrompa nosso senso de autoridade e nos faça pensar que estamos acima dos que estão sob a nossa direção.
• Integra a série de crônicas “SENTIMENTOS, EMOÇÕES E ATITUDES”.