Os padrões de comportamento ditados pela sociedade fazem com que nossas ações obedeçam a regras estabelecidas, normas e procedimentos definidos por valores culturalmente aceitos. Isso nos inibe fazer algo diferente com receio de sermos mal interpretados ou objetos de censura. Fugir dos rótulos, quebrar paradigmas, romper com o convencional, podem ser compreendidos como desobediência a princípios de formalidade e conduta social.
Somos desestimulados a exercer a capacidade de sermos espontâneos. A espontaneidade se manifesta pela criatividade. É a forma de darmos resposta nova a situações já antes vivenciadas, mesmo que contrariando o habitual. Às vezes é preciso reinventar nosso modo de agir, viver o nunca antes experimentado, deixar que a intuição, com a ajuda da inteligência, nos ofereça a decisão do caminho a seguir.
Na espontaneidade vivemos uma sensação de liberdade, porque não nos permitimos dependência ao que nos é imposto. Nada que se faça por obrigação traz felicidade. Recusamos os condicionamentos, rejeitamos a afetação, a artificialidade. Os atos de espontaneidade são autênticos, naturais, porque não se manifestam com intenções preconcebidas. O espontâneo dispensa o planejamento, a elaboração prévia da ação.
Somos espontâneos por natureza. A sociedade é que nos impõe observância de normas de procedimento, tentando impedir que sejamos espontâneos. Toda criança é espontânea porque desconhece essas regras sociais, por isso mesmo são puras e nem sempre inconsequentes. A medida que vamos amadurecendo vamos perdendo a espontaneidade no agir. Vale a pena refletirmos sobre isso: Até que ponto estamos deixando a espontaneidade e vivendo aprisionados num mundo em que os outros pensam por nós e determinam como devemos nos comportar?
• Integra a série de crônicas “SENTIMENTOS, EMOÇÕES E ATITUDES”.