O brasileiro tem por natureza um sentimentalismo muito exagerado. Em tudo ele se envolve emocionalmente. Nossos corações facilmente se comovem e mergulhamos em comoção nacional com qualquer evento que a mídia explore como episódio que mereça compadecimento e solidariedade. Os profissionais do marketing fazem bom uso dessas circunstâncias.
Essa fraqueza emotiva do nosso povo é terreno fértil para o “coitadismo”, quando utilizado no universo da política. Temos uma propensão para cultuar a “vitimização”, promovendo pessoas que se propagam originárias do mundo da pobreza, abaladas pelas injustiças sociais, perseguidas pelos poderosos. Funciona como se fosse de nossa responsabilidade proteger alguém que na disputa se coloca como o desfavorecido, o menos patrocinado pelos ricos, o mais próximo das condições de humildade vividas pela maioria. O que nem sempre é verdadeiro.
A propaganda midiática se encarrega de turbinar o personagem criado propositadamente para atender interesses que a grande massa desconhece. Sabiamente se utiliza da cultura do “coitadismo”, que predomina no Brasil, para alcançar seus objetivos, escolhendo personalidades que se enquadram perfeitamente nesse perfil. Muitas das vezes, tudo não passa de uma farsa. A postura de humildade tão proclamada, esconde uma atitude de arrogância. O discurso do politicamente correto, não bate com a sua história política. O aspecto físico de quem já sofreu muito, é inteiramente desconexo com sua vida contemporânea. O grupo que elabora o conteúdo programático de suas idéias, não se ajusta à representação ideológica de suas pregações. Portanto, um blefe.
Daí o cuidado em refletirmos quanto a esse fenômeno bem brasileiro: o coitadismo. Essa não é, com certeza, a forma mais consciente e politizada de escolhermos nossos líderes. Podemos correr o risco de comprarmos gato por lebre.
• Integra a série de crônicas “SENTIMENTOS, EMOÇÕES E ATITUDES”.

