No mundo econômico atual, que é quase 100% capitalista, as contradições que levam às crises tornaram-se mais evidentes. O desenvolvimento científico e tecnológico passou a ser cada vez mais potente. A produção de bens e serviços cresce em escala crescente, com mais diversificação e qualidade. O problema é conseguir vender essa produção, que se expande sem limites, com uma taxa de lucro convincente.
As inovações nos sistemas produtivos são cotidianas. Os avanços sociais são tardios e insuficientes, sobretudo na democratização dos frutos do progresso econômico e científico-tecnológico. Preso à lógica da primazia do lucro, o capitalismo não aprendeu, ainda, a gerar o progresso social indispensável à sua expansão econômico-financeira, sem crises.
Os problemas para a criação de uma sociedade mais razoável são de natureza sócio-política e ideológica. Para os conservadores, a ascensão social dos pobres tem que ser lenta, em pequena proporção e a longo prazo. Sem esses limites, seria impossível controlar as classes médias. Os progressistas defendem o desenvolvimento econômico com uma contínua mobilidade social ascendente.
Nos últimos 12 anos, o Brasil fez uma clara opção social progressista. Cerca de 50 milhões de pessoas saíram da pobreza para a classe média. Criou-se, assim, outro problema: como atender os novos anseios dessas pessoas emergentes? Além disso, a maioria da população entende que o país pode gerar mais bem-estar para todos.
A continuação desses avanços requer um ambiente político e social coerente com o padrão de desenvolvimento em curso. A economia nacional tem um desemprego de apenas 5,5% e um salário mínimo dos mais altos de sua história. O salário médio dos trabalhadores vem acumulando aumentos reais, há mais de 10 anos.
Essa opção brasileira pelo desenvolvimento social tem implicações econômicas. Tende a fazer o consumo crescer mais do que o investimento, gerar pressões inflacionárias e conter a expansão da economia. Mas não impede um crescimento econômico maior que o atual, com a inflação convergindo para 4,5% ao ano e as finanças públicas e o balanço de pagamentos com déficits toleráveis.
Mesmo com a crise mundial, a economia brasileira vem crescendo a taxas crescentes: 0,9% em 2012, 2,3% em 2013 e 3,0% previstos para 2014. Esses ritmo supera os das economias dos Estados Unidos e países da Europa. Para os próximos anos, o crescimento do PIB do Brasil pode ser de 3,0% a 3,5%, mantendo-se a situação adeversa mundial, ou de 3,5% a 5,5%, se essa situação for superada.
Os atuais movimentos sociais no Brasil clamam por mais conquistas. As chance de sucesso serão nulas, com a volta do conservadorismo ao poder. As voze das ruas, embora sem viés político-partidário, estão na linha da opção progressita do país.