Quando expor verdades chega como novidade

{arquivo}O burburinho nos bastidores políticos da Paraiba se concentra num fato no mercado da comunicação puxado pela estréia de programas jornalísticos na Rádio Sanhauá atraindo diversos e polêmicos profissionais sob a coordenação do experiente e veterano multimídia Gutemberg Cardoso, através de uma rede de emissoras em todo o Estado.

Parece coisa do outro mundo, mas não é. A iniciativa com fins absolutamente mercadológicos tomou conotação política porque, enfim, o Estado vai passar a dispor de uma rede disposta a abrigar informações e criticas ao Governo do Estado, melhor dizendo ao governador Ricardo Coutinho.

Não dá para ignorar que é tudo o que os opositores ao governador precisavam e defendiam porque o asfixiamento nos veículos, sobretudo rádios e TVs tem sido algo muito forte e ruim, logo não havia nessas mídias poderosas a reverberação dos grandes fatos políticos e, insisto, na possibilidade de criticas ao Exmo. Sr. Governador.

Em termos reais, vivemos a dicotomia entre avanços tecnológicos de ponta e retrocesso em nível de postura política dos governantes que, invariavelmente, se desacostumam cedo a viver com o debate, as criticas sobretudo.

Ricardo Coutinho na sua formação e trajetória foi um dos que mais defendeu e assumiu compromissos de conviver com o contra-ponto. Assumiu o governo e, poucos dias depois, mandou interferir nas produções dos programas passando a monitorar e não permitir a sobrevivência de quem discordasse (ou discorde) dele – um retrocesso para sua vida de Lider então progressista.

É que os recursos públicos dos Governos mexem e interferem nas linhas de jornalismos das empresas que, em crise, se submetem a isso para sobreviver.

O fato é que esta “postura” não é exclusiva de Ricardo, pois a maioria dos governos age assim, mas sem dúvidas de agora em diante a Rádio Sanhaua passa a ser desaguardouro de entendimentos distintos ou até mesmo discordantes da linha política do governador, por isso uma atitude democrática chega com ares de avanço – algo que está a merecer distinção só por ser diferente.

Em síntese, que chegue com a exposição plural dos fatos, inclusive abrigando os dizeres do governador, este desacostumado com a critica que tanto fazia aos outros. É aquela velha historia: “façam o que digo, mas não façam o que faço”.

A partir de hoje a batida do bombo é outra para felicidade geral da democracia, mínima que seja.

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“Escreveu não leu/ o pau comeu…”
 

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