Essa expressão é bastante ouvida quando as providências chegam tardiamente na tentativa de solucionar algum problema. Quer dizer que não há mais o que fazer, qualquer ato já está fora de tempo.
A irreversibilidade de um fato torna impraticáveis atitudes que permitam altera-lo na forma como desejada. Algumas vezes somos surpreendidos com essa circunstância e ficamos a nos questionar se demos causa a ela. Por falta de determinação no que fazer, perdemos a noção de adequação das ações ao tempo. Lamentar é o que nos resta, principalmente quando nos sentimos culpados por termos nos omitido no momento preciso.
A reflexão sobre o ditado popular faz com que nos conscientizemos da necessidade de estarmos atentos às oportunidades. Agir na hora certa é condição imprescindível para que se evitem acontecimentos ruins ou condução errada de projetos que inviabilizem sua conclusão. Ao nos depararmos com essas situações falamos “agora é tarde, Inês é morta”.
Esse dito tem origem em Portugal numa história de amor vivida por Dom Pedro I, ao tempo ainda em que era o futuro sucessor de Dom Afonso IV no trono lusitano. Dom Pedro viveu um romance clandestino com Inês de Castro, motivo pelo qual seu pai decidiu manda-la ao exílio no Castelo de Albuquerque, na fronteira com a Espanha. Ficando viúvo Dom Pedro passou a viver uma relação amorosa com Inês, que já havia retornado do exílio. O rei de Portugal, percebendo que a amante de Dom Pedro exercia, cada vez mais, uma forte influência naquele que seria o seu sucessor, decidiu, aproveitando uma viagem do filho, mandar assassina-la. Apaixonado, Dom Pedro nunca esqueceu sua amada e ao assumir o reinado resolveu exumar o seu corpo, considera-la oficialmente sua esposa e coroa-la rainha de Portugal. Foi advertido de que isso não poderia mais acontecer “agora é tarde, Inês é morta”.
* Integra a coletânea de textos que intitulei “REFLETINDO A SABEDORIA POPULAR (ditados, expressões e provérbios)”.