Quando alguém confia plenamente em outro se diz que “bota a mão no fogo por ele”. Essa expressão popular indica o grau de confiança de uma pessoa noutra. É uma espécie de aval oferecido em favor da inocência de outro.
No mundo atual, onde reina a desconfiança generalizada em tudo e em todos, faz-se cada vez mais necessário que tenhamos essa prova de confiança demonstrada para que possamos acreditar na ausência de culpa em algo ou alguém. A frase “botar a mão no fogo” revela que o depoente se expõe ao risco de se queimar em defesa do outro, porque tem certeza de que nada lhe acontecerá.
Na vida somos chamados com freqüência a manifestar essa declaração em benefício de alguém em quem depositamos inteira confiança. Assim como exigimos que outros façam o mesmo para que passemos a colocar credibilidade em algumas pessoas.
Na Idade Média, durante a Inquisição, exigia-se que os acusados de “aliança com o capeta” envolvessem suas mãos em estopa com cera e segurassem pedras ou ferro em brasa. Após três dias retiravam a estopa. Acreditavam que se o réu fosse inocente Deus o protegeria e ele não sofreria queimaduras. Ao verificarem as mãos queimadas seria enforcado, por ser considerado culpado. Muitos, antes do período de três dias, não suportando as dores, se declaravam culpados.
Surgiu daí a frase “botar a mão no fogo”. Quer dizer então que é preciso ter a coragem de “botar a mão no fogo por alguém” para evidenciar a ausência de culpa de outro.
Na seara política fazemos muito isso. Apostamos nas eleições no candidato indicado por pessoas em quem temos confiança no que diz. Nem sempre somos bem sucedidos, porque tem gente que, mesmo sabendo que a mão vai queimar, bota no fogo para referendar o perfil de honestidade e competência do indicado.
* Integra a coletânea de textos que intitulei “REFLETINDO A SABEDORIA POPULAR (ditados e provérbios)”.

