O Brasil tem sido sacudido nos últimos dias com manifestações estudantis em diversas capitais contrárias ao novo aumento das tarifas cobradas pelas empresas de transporte coletivo. Pior é atestar o nível de vandalismo que se repete em muitas das manifestações atingindo frontalmente o patrimônio público e privado de forma inaceitável.
O cenário de crise neste assunto remete a muitas análises de conjuntura, a partir da importância que há na vigilância dos estudantes em torno de uma antiga pendenga a afetar o bolso dessa gente lisa, mas nem por isso haverá de se concordar com o uso da força e da transgressão como modelo de atitude política.
O problema, a rigor, só se apresenta com ares de gravidade extrema porque aconteceu em São Paulo e Rio, enquanto grandes centros urbanos com maior ressonância em seus fatos. Se restringissem a Natal, onde houve enfrentamento primeiro, certamente que a Presidência da República não seria acionada a pensar como ajudar.
Ora, se faz ainda fundamental admitir que esta é uma questão afeita aos órgãos públicos municipais e a eles competem a construção de mecanismos para compor as sazonais necessidades de ajuste do preço porque os insumos dos serviços – pessoal, peças, combustível, etc – têm majoração a cada tempo e essa condição afeta o preço da tarifa porque as empresas não podem arcar com os prejuízos.
Certamente que, pela ótica dos cidadãos imediatistas é mais fácil querer transferir o problema para as empresas de ônibus, logo considerarem normal atacar o patrimônio privado da parte mais importante enquanto manutenção de serviços injustamente depredadas pelo vandalismo inconsequente. Mas esta lógica não pode ter guarida de forma nenhuma.
Bom, o fato é que os órgãos públicos precisam admitir em algum momento a partir de agora da necessidade de rediscutir orçamentariamente como aplicar recursos públicos no auxilio da tarifa ou na desoneração de encargos e custo dos serviços porque chegou a hora de construir processo de composição dos preços diante das empresas tendo custos elevados e monitorados pelos Conselhos Municipais de Transporte.
Os estudantes fazem a sua parte, agora o Poder Público precisa copiar medidas como as adotadas em João Pessoa em meses atrás servindo de referencia, indiscutivelmente.

