CUSTOS DA CRISE SEM SOLUÇÃO

A primeira grande crise do capitalismo mundial globalizado mantém-se forte, desde o ano de 2008. Até agora, conteve-se a aceleração da recessão rumo à depressão econômica, com custos monumentais. Na Europa, nos Estudos Unidos e Japão, a destruição de capital financeiro foi de cerca de US$10 trilhões, a dívida pública cresceu mais de US$12 trilhões, o desemprego e o déficit público se elevaram muito. Não se vislumbram caminhos de solução. O desespero levou à adoção de práticas antigas que, embora evitando temporariamente o caos financeiro, transformaram-se em fontes dos problemas que deveriam resolver.

A crise vinha sendo gerada desde os anos 1970 e eclodiu como síntese de uma fase de extrema irracionalidade dessa evolução. As crises são formas precárias que o capitalismo encontra para resolver as contradições de suas estrutura e superestrutura socioeconômicas. Essa solução drástica se impõe por absoluta falta de alternativa razoável, quer seja pela via das forças de mercado ou da intervenção do Estado.

No início do Séulo XXI, as possibilidades expansivas do capitalismo tornaram-se modestas. Não havia condições para ativar as suas tradicionais forças propulsoras, como nas últimas décadas do Século XX. Os limites das soluções artificiais, dependentes do crescente endividamento público e privado, ficaram estreitos. Foi preciso um grande esforço concentrado no que restava dessa estratégia, para viabilizar o crescimento da economia mundial.

Apoiado no artificialismo creditício-financeiro, o crescimento das economias desenvolvidos, no período 2000-2007, se deu sobre bases insustentáveis. Não por acaso, a crise mundial de 2008 teve o seu foco na desordem financeira dos Estados Unidos que, em setembro de 2008, levou à falência o seu quarto maior banco de investimentos, o Lehman Brothers, fundado em 1850. A partir daí, a desconfiança se generalizou no sistema financeiro global. Os efeitos imediatos quebraram outros grandes bancos norte-americanos e europeus.

Nesse contexto, de 2008 a 2012, os Estados nacionais assumiram o ônus financeiro da crise e passaram a ser o seu centro, aumentando a incerteza na economia mundial. Os investimentos privados não se expandiram, nas economias desenvolvidas, mesmo com as taxas de juros quase nulas. Diante do fracasso das políticas de recuperação, corre-se o risco da prática insensata do receituário da ortodoxia monetária e fiscal.

Será que resta apenas a via dolorosa do ajustamento ortodoxo das finanças públicas, com pesados aumentos de tributos e cortes das despesas? Os impactos dessa política podem equivaler aos efeitos irracionais da crise, em termos de mais desemprego, redução de bem-estar social, destruição de capital, etc. Os trabalhadores e pessoas que dependem dos benefícios públicos, de novo, pagarão a conta. Tudo continua como antes: na prosperidade, os capitalistas ganham muito mais do que os trabalhadores, nas crises os trabalhadores perdem muito mais.

 

Mais Posts

Tem certeza de que deseja desbloquear esta publicação?
Desbloquear esquerda : 0
Tem certeza de que deseja cancelar a assinatura?
Controle sua privacidade
Nosso site utiliza cookies para melhorar a navegação. Política de PrivacidadeTermos de Uso