Para Maria Júlia, Dona Bebé, Seu Menezes e Antonio Cândido (in memorian)
{arquivo}O penúltimo sábado de março chegou intermediando tristeza profunda e alívio para a existência humana de Dona Elza Gomes de Menezes, 86 anos, desde cedo da madrugada tomada de encanto pela partida de nosso mundo terreno de tantas fragilidades.
Está evidente que a dor se incorpora no coração de cada familiar e amigo porque, de agora em diante, a vida de Dona Elza será preservada na memória dos entes queridos e de seu alinhamento com o plano divino que tanto cultuou na fase plena da atividade humana.
Mas, se abstrairmos nosso egoísmo de tanto querer tê-la conosco sempre, haverá de existir a compreensão de que a “viagem” de Dona Elza estancou uma fase dolorosa às vezes até incompreensível pela fase arrastada de sofrimento, menos quando se trata de tempo de Deus, para uma mulher de Deus dedicada à família e aos amigos, há anos sentindo a falta do companheiro, José Menezes, desde que partiu primeiro para o plano divino.
A família com todas as gerações já manifesta, é perceptível, o sentimento de saudade eterna de quem em vida interpretou a condição de grande voluntária das causas de Deus sem arredar um instante de seu zelo para cada um dos 8, embora somente 7 filhos estejam para dar continuidade ao seu legado de vida exemplar, coadjuvado por genros, noras, netos, bisnetos, enfim, familiares de todos os gostos e agregados voluntários, como eu.
Desde algum tempo que dialogava com ela sem uma única palavra. Encontrávamos, ela lá no afago super especial das filhas zelosas e eu a mirando na reprodução de memórias e tantos diálogos que travamos sobre a vida, sobretudo depois da partida de minha mãe, mãe de Duda, Maria Júlia.
Sua face serena, seu olhar finito contemplando além fronteiras do tempo, tudo lhe fazia singular, distinta, mãe irrepreensível, como se no mundo dos humanos pudesse ela interpretar a condição da “abelha rainha” – mulher de corpo aparente frágil, mas de gestos, palavras e condutas determinantes e de comando.
Nem sei como dizer, mas tomando Eclesiastes de referência no que diz haver tempo para tudo, quis Deus ser agora o momento da partida de nossa “Mãe” divina na tarefa que representou na terra tão bem nas figuras de Maria Júlia e Bebé – nossas mães in memorian. Depois da dor, me sentiria imensamente confortado se, no Céu, a alegria de Maria e de Bebé pudesse arregimentar uma recepção calorosa e afetiva porque de agora em diante uma outra Santa habita o reino de Deus.
ÚLTIMA
“Mas quem ficou, no pensamento voou/
Com seu canto que o outro lembrou/
E quem voou, no pensamento ficou/
Com a lembrança que o outro cantou…”

