Os encantos de uma outra Estação

                                            Para Ana e Bitú, o casal padrão blindado

Ana Maria Gondim e Goreti Zenaide, duas usinas humanas – se fosse pouco ser mulher – fizeram do fim-de-semana, da noite de sábado mais especificamente, a oportunidade para uma viagem coletiva no túnel do tempo para uma parte de gente irrequieta/participativa e de astral de João Pessoa, que não se entrega na arte de escolher parecidos na convivência de usufruir do prazer da amizade, de gostos musicais próximos, da fissura e da sabedoria de convivência até com os processos de vida desfeitos e refeitos para alegria de todos.

O parágrafo pode parecer uma intenção de tese acadêmica, mas não é porque apenas sintetiza o valor que o salão do Restaurante Cabo Branco, em Miramar, produziu como a instigar na mente de cada um dos que lá estava a sensação de que o tempo avançou, nos impôs o natural envelhecimento, mas nada disso impediu ou impede que se escolha uma boa música para ouvir ao lado de gente inteligente, bonita e alegre.

Embora o tom saudosista impere como norma natural da abordagem sobre o clima do “Estação” reinventada por Ana/Goreti, o que mais me chamou a atenção – além das conversas de muita rememoração, foi a sintonia fina das pessoas reproduzindo a mesma qualidade de afeto e respeito ao significado de cada um, seja como for, sem contar a performance de nível elevado dos artistas tantos que subiram ao palco, a partir da banda base formada por Eric Von Shosten (violão e voz), Glauco (bateria), Letinho (contra-baixo), André (violinos e animação) e Chico Lopes com seu saxofone magistral.

Se tivesse que definir numa palavra ou expressão o conjunto de tantas pessoas sintonizadas em valores parecidos o faria através do termo “Gente de Luz”, que expressa na verdade a conduta de muitas superações, desencontros e conquistas, mas que na ambiência de clima “Estação” a ordem é exagerar no afeto qualificado, na alegria de rever tantos já distantes, reencontrados no afã de dizer a si mesmo que tem valido a pena chegar até aqui com ambição de varar mais décadas ouvindo o som legal de sempre e vendo gente de qualidade.

Só sei que deu para ver que em qualquer dos momentos sempre se faz imprescindível curtir a vida sem medo de ser feliz na medida possível, de tamanho ao sabor do freguês. E para quem até duvida é só chamar o velho Raul Seixas e cantar “Tente Outra vez”.

ÚLTIMA

“ Eles partiram por outros assuntos/muitos/
Mas no meu canto estarão sempre juntos…”

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