Somos imunes à política?

 

A grande maioria dos brasileiros diz não gostar de política. O que é perfeitamente compreensível em razão das práticas conhecidas. É quase consensual a idéia de que política é um negócio, um jogo onde os interesses pessoais e de grupos estão acima dos interesses coletivos. Mas será que mesmo com esse pensamento estamos imunes à política?

Felizmente não. Alguns podem se surpreender com o “felizmente”. É porque se confunde “política” com “politicagem”.

A política é o exercício básico de cidadania. É a forma de organização da vida humana. É encontrar a melhor maneira de garantir os direitos e os deveres dos cidadãos. Então podemos concluir que é impossível ficar imune à política. A democracia só é plena quando há participação popular. Um pensador cristão, chamado Emanuel Mournier diz que “tudo é política, mesmo que a política não seja tudo”.

O que lamentavelmente, tem contribuído para que o entendimento do “fazer política” seja tão mal visto, é que muitos desses agentes políticos em nome da democracia têm defendido interesses escusos e totalmente distantes das necessidades do povo. A leviandade, o cinismo e a hipocrisia que caracterizam  parte dos políticos fazem com que se construa a noção de que política não combina com ética, com moral e com princípios.

Equivocadamente somos impulsionados a imaginar que política é governabilidade. È o exercício do poder. Política é projeto de sociedade do qual devem participar todos os cidadãos.

Temos que buscar a partilha do poder. Como fazer isso? Não sendo submissos, mas democráticos. Não sendo omissos, mas presentes, críticos quando necessários. Não sendo alienados, mas participativos.

O grave problema que vivenciamos hoje é o sentimento de impunidade que reina entre os que estão no poder. Ignoram os fatos, dando ênfase às versões. Acham que qualquer delinqüência pode ser relegada ao esquecimento e que eleições conferem certificados de absolvição. Já dizia Montesquieu que “ninguém acha que delinqüiu mais do que o razoável”.

O político, principalmente, o governante, tem que ter consciência de que é uma pessoa pública, portanto não é qualquer mortal, e que seus erros adquirem uma dimensão muito maior do que os erros das pessoas comuns. Expurgar os delinqüentes da política é ação indispensável para que alcancemos um estágio de conscientização, de politização e de cultura que motive a todos serem agentes políticos, porque é a forma de estabelecer a relação entre indivíduos e a sociedade.

Não há, portanto, como ignorar a política nas nossas vidas. O que precisamos fazer é torná-la uma atividade em que se respeitem os valores éticos, os padrões de comportamento e o juízo moral.

 

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