{arquivo}Não dá para ignorar: a campanha nesta reta final em João Pessoa registra um fato de natureza muito especial, que é a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no comício pró Luciano Cartaxo. Queiram ou não é acontecimento histórico, em face do posicionamento do PT na disputa da Capital paraibana em patamar nunca conquistado como agora.
Para simplificar, pode ser traduzido como coroamento de um processo que começou minúsculo, lá atrás, com um desempenho quase solitário de Luciano Cartaxo, nos últimos tempos transformado em projeto de Poder e perspectiva de futuro.
Não dá para ignorar a importância conjuntural que o ex-metalurgico criou na relação com a sociedade brasileira, em especial do Nordeste – embora Lula há muito que incorporou a vida urbana de São Paulo, mesmo assim conhece como poucos a índole e a importância de cada nordestino.
CICERO: NOVA ESTRATEGIA
Na reta final, o candidato do PSDB resolveu minimizar a presença de Lula dizendo que mais importante seria a garantia de projetos em favor do Estado, da cidade, e, como sinalizou nos últimos dias do primeiro turno, resolveu encarar a Operação Confraria no seu Horario Eleitoral.
Agora, depois de utilizar depoimento do delegado Gustavo Gominho, está acionando o advogado Harrison Targino, amigo seu e ex-secretaria de Segurança à época da eclosão do grave problema.
Cicero quer passar a limpo, mesmo sabendo que se trata de matéria muito delicada com contestações, a exemplo do que aconteceu com a manifestação da Associação da Policia Federal.
Mas está tendo coragem, sem duvidas.
AINDA JOSÉ DIRCEU
No final da manhã, eis que recebemos um texto / carta do Ex-Ministro José Dirceu reclamando da decisão do STF de condena-lo mais uma vez sem provas. Particularmente, comungo com a radicalidade da posição adotada através de evidencias ignorando princípios básicos do Direito.
Eis a Carta, do ex-ministro:
“NUNCA FIZ PARTE NEM CHEFIEI QUADRILHA”
Mais uma vez, a decisão da maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal em me condenar, agora por formação de quadrilha, mostra total desconsideração às provas contidas nos autos e que atestam minha inocência. Nunca fiz parte nem chefiei quadrilha.
Assim como ocorreu há duas semanas, repete-se a condenação com base em indícios, uma vez que apenas o corréu Roberto Jefferson sustenta a acusação contra mim em juízo. Todas as suspeitas lançadas à época da CPI dos Correios foram rebatidas de maneira robusta pela defesa, que fez registrar no processo centenas de depoimentos que desmentem as ilações de Jefferson.
Como mostra minha defesa, as reuniões na Casa Civil com representantes de bancos e empresários são compatíveis com a função de ministro e em momento algum, como atestam os testemunhos, foram o fórum para discutir empréstimos. Todos os depoimentos confirmam a legalidade dos encontros e também são uníssonos em comprovar que, até fevereiro de 2004, eu acumulava a função de ministro da articulação política. Portanto, por dever do ofício, me reunia com as lideranças parlamentares e partidárias para discutir exclusivamente temas de importância do governo tanto na Câmara quanto no Senado, além da relação com os estados e municípios.
Sem provas, o que o Ministério Público fez e a maioria do Supremo acatou foi recorrer às atribuições do cargo para me acusar e me condenar como mentor do esquema financeiro. Fui condenado por ser ministro.
Fica provado ainda que nunca tive qualquer relação com o senhor Marcos Valério. As quebras de meus sigilos fiscal, bancário e telefônico apontam que não há qualquer relação com o publicitário.
Teorias e decisões que se curvam à sede por condenações, sem garantir a presunção da inocência ou a análise mais rigorosa das provas produzidas pela defesa, violam o Estado Democrático de Direito.
O que está em jogo são as liberdades e garantias individuais. Temo que as premissas usadas neste julgamento, criando uma nova jurisprudência na Suprema Corte brasileira, sirvam de norte para a condenação de outros réus inocentes país afora. A minha geração, que lutou pela democracia e foi vítima dos tribunais de exceção, especialmente após o Ato Institucional número 5, sabe o valor da luta travada para se erguer os pilares da nossa atual democracia. Condenar sem provas não cabe em uma democracia soberana.
Vou continuar minha luta para provar minha inocência, mas sobretudo para assegurar que garantias tão valiosas ao Estado Democrático de Direito não se percam em nosso país. Os autos falam por si mesmo. Qualquer consulta às suas milhares de páginas, hoje ou amanhã, irá comprovar a inocência que me foi negada neste julgamento.
São Paulo, 22 de outubro de 2012
José Dirceu
ÚLTIMA
“No novo tempo, apesar dos castigos /
De toda fadiga, de toda injustiça, estamos na briga /
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer /
No novo tempo, apesar dos perigos /
De todos os pecados, de todos enganos, estamos marcados /
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver…”