” Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro de suas consequências”. Essa verdade foi dita por Pablo Neruda. Estamos sempre sendo convocados a tomar decisões na nossa vida. E muitas das vezes essas decisões têm que ser necessáriamente firmes e ousadas. Nada pior do que a indecisão. Só triunfa quem decide.
O raciocínio deve ser considerado também na política. A população escolhe seus líderes porque acredita neles e põe sob a sua responsabilidade muitas das suas decisões. Se o líder se exime da assumir essa responsabilidade, fica desacreditado, perde a confiança. Deixar que as coisas aconteçam à espera dos resultados, é, no mínimo, abandonar seus liderados à própria sorte. É como se dissesse: se virem, nao tenho nada a ver com isso.
Então Pablo Neruda nos ensina, quem assim age, tem que assumir as consequências que certamente virão.
Estamos num processo eleitoral onde a população é chamada a fazer a opção entre dois candidatos. Todo mundo tem as suas preferências e acompanha as lideranças nos quais deposita sua confiança no exercício da política. A manifestação dessas lideranças conduz o eleitor a tomar decisões. Nesse estágio da eleição não existe espaço para isenção. Não escolher uma das alternativas é conbtribuir para que a própria instituição democrática morra à míngua.
Sinceramente não consigo compreender como alguém, principalmente quando detém a condição de líder político, decida não decidir. Triste ver agentes politicos assumirem deliberadamente a posição de não ter posição. Esse comportamento é a essência da “neutralidade” tão em voga no atual momento. Contribui, com a sua omissão, para que tudo continue como estar, e fica sem autoridade para cobrar dos eleitos no futuro.
Não acredito na “neutralidade política”. O discurso nunca revela a verdadeira opção de quem a torna pública. Dificuldades circunstanciais e arranjos políticos que não podem ser declarados induzem essas lideranças a se pronunciarem “neutros”. Nos bastidores essa “neutralidade” inexiste, o que é profundamente lamentável.
Mas o povo começa a tomar consciência política e já percebe a esperteza.
