Política é a arte de conquistar e se manter no trono, dizia Maquiavel. Para conseguir esse intento é preciso fazer uso de um instrumento poderosíssimo: a retórica.
Que vem a ser retórica? Segundo Aristóteles a retórica é a faculdade de se utilizar das palavras, para obter a persuasão. É uma técnica de poder e de domínio utilizada pelos políticos. É um importante instrumento de ação pública, aplicável nas mais diversas circunstâncias, com o objetivo de formar opinião, gerar crença, despertar credibilidade, estabelecer nível de confiança, convencer. Adequada às exigências do momento, a retórica pretende fazer com que o orador pareça coerente sem demonstrar que mudou de orientação, ainda que o seu discurso exponha alterações de pensamento.
Na retórica são aplicadas algumas indispensáveis técnicas discursivas:
1 – aparentar ao ouvinte transmissão de segurança no que afirma, convicção, certeza, evidência, o absolutamente correto;
2 – convencer, persuadir, sem a preocupação com a verdade do conteúdo;
3 – argumentar bem;
4 – usar uma linguagem compreensível, de fácil entendimento, comum, popular;
5 – não direcionar a mensagem ainda que tenha objetivos de alcançar diretamente parte do público ouvinte, mas parecer generalista, sem distinções, falando para todos;
6 – adequar o objetivo do orador ao público alvo do discurso;
7 – utilizar bem a linguagem gestual e a entonação de voz.
As chances de convencimento aumentam à medida que o orador conhece o público, por saber com quem joga e a quem deve impressionar. Temos aí a causa do sucesso de muitos políticos. Na retórica eles são capazes de transformar defeitos em virtudes, mentiras em verdades, erros em acertos, removem opiniões e implantam outras.
Pela palavra não há necessariamente o compromisso de manifestar a verdade das coisas, mas sim provocar emoções e sentimentos nos ouvintes. Nestes casos é o que chamamos retórica negativa. A eloqüência servindo como arte demagógica, hipócrita, irresponsável, enganadora. O encanto do belo discurso como forma inteligente de seduzir e ludibriar.
A retórica se confunde às vezes com o sofisma, o jogo propositado das palavras, os truques lógicos, a capacidade de tudo argumentar. No mundo moderno aonde a informação chega ao público com mais intensidade e velocidade, a retórica vazia, oca, sem conteúdo, perde a sua eficácia. Na retórica política, o eleitor, mais consciente e mais exigente, não se deixa enganar com tanta facilidade pelo poder de verbalização dos homens públicos, mas ainda existem os que sabem provocar a embriaguez pela palavra e, por uma espécie de hipnose, emocionar, conquistar, persuadir, convencer o público que lhes dá audiência. A retórica é, portanto, uma arma perigosa, quando utilizada por políticos que não têm ética, não tem responsabilidade pública, não têm senso de responsabilidade social.
Desconfie de quem fala bonito, de quem na prática contraria o discurso, de quem se julga o dono da verdade, de quem faz da comunicação verbal uma forma de sedução e de persuasão. O convencimento deve ser conquistado com ações, com discursos que expressem verdades absolutas, sem sofismas, sem recursos linguísticos, sem apelos de oratória. Muito cuidado com os discursos oficiais programados ou entrevistas coletivas organizadas, são os melhores cenários para exercício de retórica demagógica e enganadora. Nessas ocasiões a linha de raciocínio do orador ou entrevistado é previamente definida por profissionais do marketing político e tudo o que se diz ou responde foi antecipadamente analisado de forma a causar admiração e aceitação. Percebam a repetição de frases e de afirmações. Observem a lógica dos discursos e das palavras