Jaques Wagner nega desvios no Caso Master, compara investigação à Lava Jato e promete provar inocência

Jaques Wagner durante atividade política no Senado Federal
Senador Jaques Wagner (PT-BA). (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)

O senador Jaques Wagner (PT-BA) quebrou o silêncio e fez sua primeira manifestação pública de peso após deixar o cargo de líder do governo de Luiz Inácio Lula da Silva no Senado Federal. Durante um ato político realizado neste sábado (27) no município de Barreiras, no oeste da Bahia, o parlamentar negou enfaticamente qualquer envolvimento em irregularidades no chamado “Caso Master” e afirmou possuir total tranquilidade para desmontar o que classificou como “uma mentira construída” contra sua imagem pública.

Em seu discurso, o petista revelou detalhes de uma conversa de bastidores mantida com o presidente Lula em meio ao agravamento da crise política. De acordo com Wagner, o chefe do Executivo nacional buscou acalmá-lo diante do avanço do inquérito.

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“Eu estou muito tranquilo. O presidente Lula gosta de dizer: ‘Galego, só quem sabe o que você fez é você mesmo.’ Eu sei o que eu fiz e vou desmentir a mentira que estão tentando construir contra a minha pessoa. Vou desmontar essa mentira”, discursou o senador, que na sequência comparou sua situação jurídica à prisão de Lula no âmbito da Operação Lava Jato, classificando o episódio histórico como uma “injustiça muito maior”.

Compliance Zero

A crise que culminou na saída de Jaques Wagner da liderança do governo — oficializada na última quarta-feira (24) após reunião de duas horas com Lula — é fruto da mais recente fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF). Sob a relatoria do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal (STF), a investigação apura supostos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro envolvendo contratos e repasses vinculados ao banco do empresário Daniel Vorcaro.

Wagner teceu duras críticas à exibição pública das fotos do dinheiro apreendido em seu imóvel, argumentando a interlocutores e ao próprio presidente Lula que a divulgação midiática violou a determinação expressa do ministro André Mendonça de que as diligências ocorressem de forma estritamente discreta devido ao segredo de Justiça.

Blindagem governista e as metas eleitorais para 2026

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT) — que também teve o secretário de Meio Ambiente e enteado de Wagner, Eduardo Sodré Martins, como alvo da mesma operação —, saiu em forte defesa institucional do correligionário durante o evento em Barreiras. Jerônimo classificou o inquérito como um movimento puramente político orquestrado para desgastar o Palácio do Planalto. “Na verdade querem pegar Lula primeiro e usam a gente o tempo inteiro para bater no Lula. Na história de Wagner, você nunca ouviu falar em qualquer mácula”, defendeu o governador.

Apesar do desgaste gerado pela saída do posto de articulador político do governo no Congresso, Jaques Wagner assegurou ao público que a agenda partidária para os próximos anos permanece inalterada. Ele confirmou que manterá o foco em sua defesa técnica, mas que continuará operando na linha de frente para viabilizar as candidaturas governistas em 2026, com foco na reeleição de Lula, no projeto de Jerônimo na Bahia, em sua própria recondução ao Senado e na costura para eleger o atual ministro Rui Costa à Câmara Alta.

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