{arquivo}A esperança dos candidatos do Partido dos Trabalhadores a prefeito das Capitais do Nordeste, em especial, na atual fase da disputa eleitoral sofreu o mais duro golpe nas pretensões de quem queria somar votos com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva depois que, no final da tarde desta quinta-feira, ficou confirmada a decisão do Líder petista de cancelar toda a sua agenda nessas capitais.
Não é mole para Lula conviver com esta infeliz coincidência de ter de admitir no auge de sua fama política os limites advindos do câncer, mesmo com a cura porque os efeitos independem de vontade. Ele próprio já confessara que seu maior drama pessoal seria exatamente este de ter de ser obrigado a ficar impedido do que mais fez e o consagrou: os discursos políticos na intensidade desejada.
A decisão médica de agora faz sentido porque a imunidade do Lider petista estava baixa e certamente haverá de ser cuidada rigorosamente, do contrário pode provocar conseqüências danosas à saúde do ex-presidente.
Esta é a síntese e o drama de gente como Humberto Costa e Wellington Dias – dois senadores e nomes refenciados do PT convocados para a disputa de 2012 num esforço partidário de tentar barrar a vitória dos partidos e candidatos adversários mas que estão em desvantagem.
Todos, agora, inclusive o candidato de João Pessoa, Luciano Cartaxo, vão precisar conviver com a gravação de VT – o máximo possível e olhe lá.
Este sério cenário em torno de Lula mostra ainda que o PT vive a fragilidade comum em outros partidos de não ter quadros com a mesma dimensão de Lula.
Aliás, este segundo semestre tem sido tempo de aperreios nunca vistos na vida do Partido dos Trabalhadores porque, além da questão de Lula e do revés enfrentado por alguns candidatos petistas em algumas disputas, ainda tem o julgamento do Mensalão – cujo saldo deve resultar em forte baque para o PT em se mantendo o ritmo e nível de condenações.
Estes fatos, sem dúvidas, vão levar o partido a encarar uma nova realidade depois do processo eleitoral e do Mensalão. Não é que Lula esteja liquidado, absolutamente, mas o PT forçosamente precisará mais na frente construir os passos futuros sem a voz de Lula da intensidade (e vibrato) de antes, porque a tendência a partir de agora é de moderação.
Afora tudo isso ainda tem o componente da exaustão politica, o mesmo valor que tem levado o PSDB e um de seus mais competentes lideres, José Serra, a conviver com a perspectiva real de derrota.
O caso de João Pessoa
Luciano Cartaxo e toda a estrutura de campanha vão precisar ter de se virar com o que dispõem em nível local porque o reforço de Lula se resumirá à fala na TV – que não deixa de ser um componente importante.
Esta situação de Lula só pode ser praga das grandes dos que não admitem vê-lo brilhar com Lider incomum. Mas, se benzendo, apoio divino e cuidados médicos, ainda vai dar muito trabalho aos agourentos.
Vide São Paulo.