As estratégias dos que se recusavam aceitar o pedido do STF para processar o deputado Márcio Moreira Alves, eram inscrever o maior numero possível de deputados para debater a matéria, solicitar a inquisição de várias testemunhas domiciliadas fora do Distrito Federal, dentre elas o advogado Sobral Pinto, o ministro Pery Beviláqua e o arcebispo de Olinda e Recife, Dom Hélder Câmara, e pedir a presença do Ministro da Justiça, Gama e Silva, no plenário da Câmara, para ser interpelado pelos parlamentares do MDB. Com isso esperavam ganhar tempo suficiente para evitar o julgamento no final daquele ano.
O Deputado Djalma Marinho, no entanto, indeferiu todos os pedidos, mesmo sendo um dos mais decididos a negociar o adiamento da votação para o início de 1969.
Ao tomar conhecimento de que teria sido recusada a sua participação como testemunha nas reuniões da CCJ discutindo o processo, Dom Hélder Câmara reafirmou que “continuava esperando que, para a dignidade do Brasil no estrangeiro e a salvaguarda do próprio regime, o Congresso resistirá à licença para cassação do deputado Márcio Moreira Alves”. Outro bispo que se manifestou também a respeito foi o paraibano Dom Fragoso, de Cratéus, que em entrevista ao Jornal do Brasil sentenciou que “a cassação de deputados da oposição é um índicio de insegurança e que o consentimento dos companheiros para a sua legalização parece-me um prenúncio de suicídio do legislativo”.
Na reunião do dia vinte e sete de novembro, na Comissão de Constituição e Justiça, os deputados oposicionistas levantaram vinte e seis questões de ordem, numa evidente manobra protelatória.
Nas galerias artistas de renome nacional que participavam do festival do cinema nacional em Brasília, acompahavam os debates, manifestando-se contra a cassação de Márcio Moreira Alves.
O jovem prefeito de Sousa, Antônio Mariz, filiado a ARENA, deixou clara sua preocupação com o processo, afirmando: “o esforço que o governo federal vem fazendo para cassar o mandato do parlamentar não deixa de inquietar aqueles que pretendem uma democracia autêntica”.
O presidente Costa e Silva, no último dia do mês de novembro, promoveu um encontro com os parlamentares da ARENA, oportunidade em que, por diversas vezes, admitiu a possibilidade de criação de novo ato institucional, com o consequente fechamento do Congresso, caso não fosse concedida a licença para processar o deputado Márcio Moreira Alves. O tom ameaçador do presidente, propondo medidas extra-legais, foi compreendido como radicalização do governo em relação à questão.
A aproximação do julgamento causava nervosismo em toda a classe politica. O deputado Djalma Marinho, considerava ‘perigoso e temerário qualquer prognóstico a respeito da decisão da Câmara. Esssa decisão representará um ato soberano dos deputados e estão enganados os que pensam que eles se curvarão às pressões de quem quer que seja. O Parlamento estará atuando de acordo com sua consciência e com a opinião que formar a respeito do assunto, já que, tratando-se, como se trata, de um problema eminentemente político os parlamentares apreciarão a questão por esse prisma”.
* esse texto faz parte da série COMO A PARAIBA VIVEU O ANO DE 1968
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