Requéim para o Poeta Iluminado

       Para Agnaldo Almeida e Sebastião Barbosa

{arquivo}A primeira vez que sentei numa mesa com Ronaldo Cunha Lima ele era a construção do Mito, um líder político em ascensão (à época prefeito de Campina Grande) e uma figura humana inigualável, enquanto relacionamento à primeira ou milésima vez ou vista na vida.
 
Fui apresentado a ele pelo jornalista Agnaldo Almeida, o editor mais importante da época,no final dos anos 80, ao lado de Sebastião Barbosa e Abmael Moraes – grande ABI, três apaixonados por Ronaldo. Eu era um Jovem Chefe de Redação do Jornal O NORTE – à época o mais importante jornal da Paraíba. Tempos depois, sem que soubesse, sabia que gravitava em torno de Ronaldo um poeta de nome Marcos Tavares. É outra historia.
 
Conheci Ronaldo no Cassino da Lagoa, onde costumo almoçar porque é o mais emblemático e referencial de lugar de João Pessoa  entre o passado, o presente e futuro. Estavam  Agnaldo, Barbosinha e Abmael ( o mais carioca dos Jornalistas ) Alguém disse, nao lembro bem: ” Ronaldo aqui está Walter Santos, jovem lider e promessa do jornalismo, tudo a ver com seu futuro” Foi Agnaldo.
 
Ele olhou para mim, me deu um abraço afetuoso e me disse: ” vou começar uma campanha para o governo em breve, mas antes quero que você me conheça em Campina Grande, amanhã ( era um sábado) no restaurante da Estação Ferroviária”, onde pontificou lá atras. Era um tempo em que não dimensionava mas Antônio Marques da Silva Mariz  me inseriu na sua lista de pessoas queridas da vida e da Imprensa cultivando de sua amizade apresentada,  através de um então jovem advogado de nome Luciano Mariz Maia. Por essas e outras Maria Júlia adorava Luciano, hoje Sub-Procurador da Republica, em Brasília.
 
Foi a primeira vez que ouvi na conversa uma palavra em inglês na campanha  política da Paraíba: MIX. Disse ele: ” é um pessoal de Recife, do Grupo 9, que conheceu Cássio e ele esta adorando o trabalho do pessoal” . Curioso, perguntei: ” Quem sao eles?” . Ronaldo disse: ” Tem dois comandantes: um é funcional,  de resolver as coisas de nome Jurandir  (acrescento Miranda) e Zé Maria, com esse me identifico mais porque é mais,ligado ao mundo Intelectual e  entende de Política. Foi assessor de Dom Hélder Câmara”.
 
Nem quis saber. Nao era casado ainda com a digna professora Maisa Paiva e no dia seguinte pedi permissão a Maria Júlia, minha mãe in memorian e  sapequei para Campina, numa carona nem lembro mais com quem. Em pleno meio- dia combinado estavamos todos na Estação.
 
Uma das primeiras conclusões que fiz – sob o olhar de Itamar Cândido e William Monteiro, jornalista de primeira e escudeiro de Cássio,  era de que Ronaldo gostava de conversar muito, encantar pessoas, inventar um futuro político, mas sempre pegando numa caneta. Ele mexia na caneta como que estivesse fazendo política – pra lá e pra cá.
 
Me encantou tanto que, lá pras tantas, declarei: ” Ronaldo, você é prefeito querido, mas deveria ser mesmo era Secretario de Segurança”. Todos me olharam com censura imensa e eu fui logo explicando: ” Você desarma todo mundo e precisamos de gente assim” . É que cresci politicamente vendo uma guerra maluca entre Tarcísio Burity, um intelectual refinado, e Wilson Braga, a maior liderança popular de todos os tempos.
 
Ronaldo, líder a partir de Campina, era ícone ao lado de Humberto Lucena, Antônio Mariz ( grande amigo)  – numa época em que José Maranhão não tinha a dimensão de hoje.
 
Ele me deu um grande abraço e me disse: ” obrigado pelo sentimento, mas lhe vejo com futuro e comecei a lhe querer bem”.
 
Estas são as primeiras lembranças de Ronaldo Cunha Lima, o mesmo cidadão ilustre, que na fase atual convive com a adversidade da permanência entre  nós, pelo mesmo nível de convicção de todos os que crêem na espiritualidade têm de encarar o encantamento diante da fase de Ressurreição. 
 
Por essas e outras, tenho vivido a tristeza da família e dos amigos  pela fase difícil de um homem bom, encantador, pecador também, mas de perfil humano incomum, o filho de Dona Nezinha. Foi ele quem começou a dar rumo de equilíbrio às contas do Governo do Estado a partir de 1990.
 
É duro, mas é a vida de homens comuns e ilustres como Ronaldo, que um dia se encantam deixando-nos no tamanho da impotência humana de nada puder fazer na hora da partida.
 
Se não for muito, desde já pedirei a Maria Júlia,  que articule com meu pai Antônio Cândido, também  no Céu, uma recepção digna a um homem de índole incomum. Diferentemente da dor nossa de humanos, quando for confirmada a viagem celestial, São Pedro enfim vai saber como se organiza a Maior Festa do Mundo dos Céus.

“Todos do andar de cima”vão regozijar e fazer a maior festa, em detrimento de nossa tristeza. Abmael, enxerido, vai logo querer fazer novo Perfil de Corpo Inteiro! Nem precisa, Abi, pois aqui sabemos de cor a historia de um homem literalmente bom, muito bom, vitima do infortunio inexplicável, mas que Deus saberá sempre guardá-lo entre os seus.

Tem mais historias, muitas, mas vamos contando depois.

ULTIMA

“O nome/ a obra imortaliza…”

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