Não há prosa nem rima com tanto efeito como a sentença poética da mudez. A lembrança, como condutora maior da história, sempre se impõe a querer infringir o silêncio do que não precisa ser dito. A vida imensa de um poeta, se já provida de bem-querer, é quem se apresenta maior do que o humano carregado em quem constrói a despedida e os que não aceitam por querer a despedida derradeira sem a midia.
Fico às vezes pensando como uma serra do tamanho da Borborema se contém com a longevidade poética do que se impõe vivo, mesmo em viagem, e em encanto continuado diante de uma realidade desigual na pessoa dos poetas de alma.
Poeta e poesia não deveriam ser, como se é comum dizer, provido de dura realidade emocional quando até menos se espera. No caso dele. nem tanto porque muito pior do que se preparar para o fim e partida é se manter no presente superficializado no que pouco efeito dispõe.
Se Deus me desse o poder de recompor a história, até na despedida, gostaria de ver o poeta com sua capacidade de viver e amar como na fase tanta de construção política e poética como lhe conheci, lépido e falgueiro com as relações, juntando gente como ruma de valores humanos, nunca por insensibilidades numéricas do que insiste em ignorar a adversidade real do clima.
Até iria querer que o calor fosse a forma perfeita dele beber mais água e se purificar diante de erros e acertos, como é dado a todos os mortais.
